O pré-candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, chega a poucos dias da convenção do seu partido sem a definição sobre o seu vice e nem o apoio formalizado de legendas que ele contava em seu palanque já no primeiro turno. Mesmo diante das indefinições, o PL marcou para sábado (25) a oficialização da candidatura do filho 01 de Jair Bolsonaro.

São três os partidos alvos de Flávio para a composição de uma chapa. Até agora, todas as conversas com o União Brasil, o PP e o Republicanos fracassaram. A última tentativa ocorreu nesta semana, com o convite para Tereza Cristina, do PP, ser vice. Ela recusou. Restaram, por ora, duas outras possibilidades: a ex-presidente da Caixa Daniela Marques, do Republicanos, e a deputada federal Simone Marquetto, do PP de São Paulo. Daniela aceitou, mas o partido comandado por Marcos Pereira fez exigências ao PL nas eleições nos estados. Ainda não há acordo.

O senador Rogério Marinho, coordenador da pré-campanha de Flávio, declarou que o nome do vice não será definido na convenção do próximo sábado. Afirmou que a definição só ocorrerá após fechadas as alianças partidárias. Marinho atribuiu parte do atraso às restrições de acesso a Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar. Valdemar Costa Neto, presidente do PL, afirmou que será o próprio Jair será quem indicará o nome.

Depois de pontuar bem nas pesquisas e aparecer, em algumas delas, à frente do presidente Lula no segundo turno, Flávio passou a acumular reveses e crises em sua pré-campanha. Três episódios marcam a queda do otimismo com a eleição. Desde a divulgação das conversas entre o senador e o ex-dono do Master Daniel Vorcaro, o desempenho de Flávio nos levantamentos caiu.

Flávio pediu 134 milhões de reais a Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, sobre o seu pai, Jair. Desse valor, 61 milhões foram repassados. O inquérito que investiga os recursos da obra segue aberto com potencial de novas revelações. Um outro risco para Flávio vem da Operação Compliance Zero, que teve como alvo o publicitário Thiago Miranda, apontado como intermediário entre Vorcaro e o senador.

Pesquisa Datafolha de 20 de junho mostrou que, antes da revelação do financiamento do filme, Flávio havia alcançado empate técnico com Lula em simulação de segundo turno; depois, passou a perder por quatro pontos, e o levantamento seguinte não indicou recuperação

Além das investigações, Flávio enfrenta resistências em seu núcleo familiar. O desgaste mais direto é com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. O racha começou em dezembro, quando o presidente do PL no Ceará, deputado André Fernandes, defendeu aliança com Ciro Gomes, do PSDB, para o governo estadual. Michelle é contra o acordo. Em vídeo divulgado nas redes, a ex-primeira-dama disse ter se sentido desrespeitada, humilhada e maltratada pelo enteado após uma conversa com o senador. Segundo ela, Flávio a acusou de não entender de política. Michelle retrucou e insinuou que novas revelações sobre o enteado podem vir à tona.

Um outro desgaste para a pré-campanha de Flávio veio da taxação de 25% sobre produtos brasileiros, anunciada pelos Estados Unidos na semana passada e que entram em vigor nesta quarta-feira (22). Pesquisa Quaest da semana passada mostrou que a rejeição a Lula caiu quatro pontos após o tarifaço imposto pelo governo Trump. No levantamento, Lula tem 40% contra 28% de Flávio no primeiro turno, diferença de 12 pontos, a maior das seis rodadas da pesquisa em 2026. No segundo turno, a distância ficou entre 6 e 8 pontos. A rejeição a Flávio chegou a 57%, a mais alta entre os pré-candidatos testados, contra 50% de Lula.

Centrão joga parado

Potenciais aliados de Flávio, como o PP e o União Brasil, aguardam os desdobramentos para tomar uma posição, que só virá no dia 5 de agosto, prazo final estipulado pela Justiça Eleitoral para as convenções. A relação do senador com a federação está estremecida desde maio, quando houve operação contra Ciro Nogueira, presidente do PP, no âmbito das investigações sobre as relações de Vorcaro. Flávio não manifestou solidariedade ao colega que chegou a ser cotado para ser seu vice.

Flávio ainda não definiu os seus candidatos ao Senado pelo Rio de Janeiro. As vagas são tratadas internamente como um plano B para ele, caso a candidatura não se consolide.