O senador Flávio Bolsonaro disse a colegas do PL que contratou um serviço de auditoria para examinar as contas do financiamento do filme “Dark Horse” e prometeu apresentar o resultado a eles em 30 dias. Flávio não se comprometeu, contudo, a cumprir a promessa de apresentar o contrato que diz ter firmado com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que se prometeu dar 134 milhões de reais para a produção do filme.

O negócio entre Bolsonaro e Vorcaro foi revelado pelo The Intercept Brasil. O site mostrou mensagens de texto e áudio, nas quais Bolsonaro chama Vorcaro de “irmão” e cobra o pagamento de prestações de um investimento de 134 milhões de reais feito por Vorcaro na produção do filme.

A revelação instalou uma crise na campanha de Flávio Bolsonaro, ainda não superada. A situação piorou depois que, apesar de Flávio dizer que seu único contato com Vorcaro havia sido aquele, dias depois ele precisou voltar atrás e admitir que visitara o banqueiro em sua casa, em São Paulo, quando ele já havia passado pela cadeia e usava tornozeleira eletrônica.

Ao tentar justificar publicamente o pedido de dinheiro, Flávio Bolsonaro disse que se tratava de um patrocínio. No dia 14 de maio disse à GloboNews que havia um contrato assinado com Vorcaro. “Tenho contrato de confidencialidade. Estou falando disso agora porque veio à tona, não tem mais como negar”, disse. Flávio, no entanto, não apresentou o contrato. Questionados pelo Bastidor sobre o contrato, parlamentares do PL disseram que Flávio não voltou a falar no assunto, nem demonstrou intenção de divulgar o documento. Quase todos insistem em repetir que o episódio é “página virada”.

Segundo as investigações da Polícia Federal, ao menos 61 milhões de reais de Vorcaro foram enviados para fundos no exterior, controlados por pessoas que prestam serviços ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que vive refugiado no Texas. A Polícia Federal investiga se parte do dinheiro de Vorcaro foi usada por esses fundos para bancar custos de moradia de Eduardo nos Estados Unidos.

Com o avanço da repercussão negativa, Flávio Bolsonaro declarou estar “100% disposto” a divulgar o documento e determinou prazo para que os responsáveis pelo fundo internacional apresentassem esclarecimentos sobre a operação. A promessa, no entanto, não foi cumprida.

O Bastidor questionou a assessoria do senador Flávio Bolsonaro sobre a promessa de auditoria nas contas do filme “Dark Horse” e sobre a divulgação do contrato, mas não obteve resposta.