A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro deixou nesta terça-feira (30) a presidência do PL Mulher, uma semana depois de tornar pública sua disputa com o senador Flávio Bolsonaro sobre as articulações do partido no Ceará. A decisão foi comunicada pessoalmente ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, durante uma reunião na sede da legenda, em Brasília.
Em nota, ela explicou que deixa o cargo para se dedicar integralmente aos cuidados com Jair Bolsonaro e com a filha do casal. Agradeceu a Valdemar pela autonomia concedida à frente do PL Mulher e reconheceu o trabalho das dirigentes estaduais e municipais da ala feminina, sem mencionar o atrito com Flávio.
Michelle colocou sua pré-candidatura ao Senado pelo Distrito Federal à disposição de Valdemar. Pelos planos atuais, ela disputaria uma das duas vagas ao lado da deputada federal Bia Kicis.
A saída do comando do PL Mulher é o desfecho de uma sequência de episódios que expôs rachaduras no bolsonarismo. Na semana passada, Michelle divulgou um vídeo em que disse ter sido desrespeitada por Flávio durante uma conversa sobre a estratégia do partido no Ceará. Deu a entender também que Flávio não segue os desejos do pai, que cumpre prisão domiciliar.
Flávio negou as falas de Michelle. Desde então, Michelle passou a ser atacada. Uma das piores manifestações foi do influenciador Paulo Figueiredo, amigo de Flávio e Eduardo Bolsonaro, que atacou Michelle e disse que “mulheres votam mal”, ao questionar o espaço político conquistado por ela no bolsonarismo.
O atrito afetou a agenda de Flávio. O senador havia programado para esta quarta-feira (1º) um encontro com mulheres conservadoras, uma tentativa de reaproximar sua pré-candidatura do eleitorado feminino após a crise. O partido não confirma se o evento ocorrerá.
Leia a íntegra da nota do PL Mulher:

