O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, pediu explicações à Câmara e aos deputados federais Bia Kicis, Marcos Pollon e Mário Frias, todos do PL, sobre emendas parlamentares encaminhadas por eles a entidades ligadas a Karina Ferreira da Gama.
Karina é a produtora responsável pelo filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em 2024, os parlamentares direcionaram ao menos 2,6 milhões em dinheiro público, em forma de emendas Pix, à Academia Nacional de Cultura (ANC), uma das organizações do grupo.
Dino tomou a decisão a partir de informações enviadas pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP). Há duas suspeitas no caso. Amaral afirma ter indícios de que os três deputados do PL enviaram dinheiro público a entidades do grupo e, simultaneamente, contrataram serviços de marketing eleitoral de empresas do mesmo grupo.
A segunda suspeita é de financiamento do filme com dinheiro público. Para Tabata Amaral, as emendas financiaram indiretamente a cinebiografia de Bolsonaro – que, segundo os produtores, não foi feita com dinheiro público. Ironicamente, uma das principais bandeiras do bolsonarismo é a condenação da Lei Rouanet, que permite desconto em impostos para empresas que investem em projetos culturais.
Ainda segundo Tabata Amaral, o grupo de Karina Gama é alvo de uma representação do Ministério Público de São Paulo, que apura contratos de 108 milhões de reais entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), que integra o mesmo ecossistema de empresas
A decisão de Dino foi tomada no âmbito do processo que analisa a transparência das emendas parlamentares, incluindo as emendas Pix — transferências diretas a estados e municípios que, segundo a denúncia, estariam sendo repassadas a entidades privadas sem a devida rastreabilidade.

