Governo viu exigência de segurança como entrave em contrato de aeromóvel no aeroporto de Guarulhos

Brenno Grillo
Publicada em 14/09/2021 às 09:00
Foto: Trecho de relatório da GruAirport sobre o aeromóvel do consórcio Aerogru em Porto Alegre

A escolha da empresa responsável por construir um aeromóvel ligando o aeroporto de Guarulhos à rede de transporte metropolitana dividiu governo federal e GruAirport. A concessionária havia escolhido o consórcio Gru Connecta, por considerá-lo mais seguro. Mas o acordo de R$ 271 millhões foi assinado no último dia 8 com o Aerogru - o valor será abatido da outorga devida pela concessão.

Ao anunciar que buscava interessados, a concessionária do aeroporto de Guarulhos exigiu nível quatro de segurança para o projeto do Automated People Mover (APM). E apenas o Gru Connecta conseguiu demonstrar que conseguiria se aproximar do modelo exigido. 

Mas essa especificidade foi considerada pela Anac - uma das autoras do termo para apresentação de propostas - uma "barreira à ampla concorrência". A agência relevou até manifestação da Secretaria de Aviação Civil afirmando que a exigência "não obstruiu a participação no processo concorrencial".

A Gru Airport afirmou, após visitar o aeromóvel do consórcio Aerogru em Porto Alegre, que o sistema operacional é "de baixa qualidade", com "balanço excessivo do trem ao longo do percurso". Também destacou que a Trensurb, operadora do APM na capital gaúcha, "estuda a substituição" dos veículos usados após 7 anos da inauguração.

Aerogru e Gru Connecta foram os dois melhores colocados após a apresentação das propostas. Mas os custos totais por passageiro cobrados pelo primeiro chegaram a um diferença de quase R$ 30, a depender do cenário.

Num cenário de baixa demanda, o Aerogru cobrava R$ 46,80 por pessoa para custear a instalação e a operação do modal. Enquanto o preço apresentado pelo Gru Connecta no mesmo cenário foi de R$ 74,39 por passageiro.