A demissão, na noite de terça, faz com que a gestão de Jean Paul Prates na Petrobras seja avaliada mais positivamente do que merece. Prevaleceram na decisão do presidente Lula suas convicções e os palpites dos ministros Rui Costa (Casa Civil) e Alexandre Silveira (Minas e Energia), dois inimigos de Prates. Fora Lula, todo saíram perdendo um pouco com a mudança.
Os ministros Rui Costa e Alexandre Silveira demoraram a derrubar Prates, mas não conseguiram fazer seu substituto. Silveira tentou emplacar no cargo seu número 2, Pietro Mendes. Rui tentou que o presidente fosse seu assessor Marcus Cavalcanti. Não conseguiram. Ter o presidente da Petrobras é ter uma força inestimável. Lula sabe disso e manteve este poder em suas mãos.
Da forma como foi executada, a demissão e a substituição de Prates lembram – em especial aos dois ministros – que, a despeito de regras internas ou das vicissitudes da política, a presidência da Petrobras tem de obedecer a Lula.
Fritado por meses, Prates caiu quando Lula quis. O presidente escolheu um momento estratégico, em que todas as atenções estão – com razão – voltadas para a tragédia da enchente no Rio Grande do Sul.
O mercado gritará pela saída de Prates, mas o resto do mundo só pensa no sofrimento dos gaúchos. Assim, a troca na Petrobras tende a ter menos atenção e repercussão para o governo.
Prates foi um personagem singular no governo. Em um ano e quatro meses na presidência da Petrobras, conseguiu fazer mais inimigos en Brasília do que alguns notórios antipáticos, como o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante – que, aliás, só perdeu a vaga de Prates porque falou demais ao ser consultado.
Prates não foi o resistente que defendeu a Petrobras de interferências indevidas, nem fez uma gestão de destaque. Nada disso. Prates caiu por não entender exatamente sua posição. Não atendia parlamentares, demorava a retornar contatos de ministros e, principalmente, não entendeu o que Lula queria e não executou isso.
Prates não executou o que Lula queria, que era bancar gasolina barata e colocar dinheiro nos projetos do governo; caiu não por ser um herói, mas por falta de habilidade e condições. Teve ainda a postura de um colegial ao tentar emparedar o presidente, colocá-lo na posição de escolher entre ele e o ministro Alexandre Silveira.
A despeito de qualquer evidência econômica, Lula acredita que a Petrobras tem de trabalhar para o governo, fazer obras de interesse do governo, colocar dinheiro para ajudar a fazer o PIB crescer. A evidência econômica mostra o contrário, mas Lula tem suas crenças e é o presidente da República.
Sobre Magda Chambriard, sabe-se que foi diretora da Agência Nacional do Petróleo e que Rui Costa será seu interlocutor no governo. É cedo para falar sobre sua futura gestão. Só se sabe que obedecerá aos desejos de Lula e não poderá cometer os erros de Prates.

