Caso Eldorado: vários pontos ainda precisam ser esclarecidos

Publicada em 20/08/2021 às 14:45
Eduardo Bolsonaro e o CEO da Paper Excellence Foto: Instagram

A disputa da Eldorado Celulose entre a Paper Excellence e a J&F ganhou novos capítulos quando foi descoberta a relação entre um dos árbitros do caso, Anderson Schreiber, e o advogado Guilherme Forbes, que representa a empresa da Indonésia. Schreiber pode ter omitido não só esse detalhe, mas o fato de ser genro de Paulo Marinho, suplente do senador Flávio Bolsonaro.

Foi na residência de Marinho, no Rio de Janeiro, que ocorreram as principais reuniões da campanha do presidente Jair Bolsonaro. Mas o novato da política carioca rompeu em definitivo com a família Bolsonaro quando ele e seu amigo Gustavo Bebiano viram a influência que possuíam desaparecer logo no início do Governo.

É bom lembrar que a família Bolsonaro chegou a se envolver diretamente no caso. Em julho de 2019, o deputado Eduardo Bolsonaro, também conhecido como zero três, viajou para Indonésia e encontrou o CEO do grupo, Jackson Widjaya. Na ocasião, recebeu um cheque simbólico de R$ 31 bilhões, valor que seria investido no Brasil caso a Paper vencesse a disputa da Eldorado com a J&F.

Outro ponto que chama atenção na história foi o repentino “rebaixamento” do advogado Guilherme Forbes, cujo escritório dividia sala e funcionários com o escritório de Schreiber. Depois de iniciada a arbitragem, o advogado foi reduzido à testemunha. Restaram oficialmente na condução dos trabalhos Eduardo Damião, do escritório Mattos Filho, e Marcelo Ferro, do escritório Ferro Castro Neves. 

No mundo do judiciário, fica a dúvida se essa mudança tinha como objetivo despistar o vínculo entre o advogado e o árbitro. Se comprovado o plano e que a empresa já tinha consciência da ligação antes da escolha, pode haver consequências sérias para os idealizadores dessa jogada.