Bolsonaro manda ministros tocarem a MP do Auxílio Brasil mesmo sem reformas de Guedes

Publicada em 08/10/2021 às 18:00
Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

A determinação do presidente Jair Bolsonaro para que a ministra Flávia Arruda, da Secretaria de Governo, e o ministro João Roma, da Cidadania, toquem as negociações para a MP do Auxílio Brasil independentemente da PEC dos Precatórios e da reforma do Imposto de Renda é um indicativo de suas prioridades e um recado a Paulo Guedes, avaliam seus aliados.

Por isso, os ministros estiveram nesta quinta-feira, 7 de outubro, com o relator da medida provisória, Marcelo Aro. No encontro, que contou com a presença de Guedes, o governo cobrou pressa. O ministro da Economia ainda resiste. Contra o desejo do chefe, ele defende que antes sejam resolvidos os precatórios e a reforma do Imposto de Renda.

A PEC dos Precatórios vai sair mais rapidamente por interesse dos presidentes Arthur Lira e Rodrigo Pacheco - a reforma do Imposto de Renda, que já passou pela Câmara, não tem no Senado o mesmo senso de urgência. O ritmo de sua tramitação será diferente do que gostaria o governo.

Arruda e Roma estão alinhados com o centrão sobre a necessidade de o governo não fazer contas para manter o auxílio emergencial ou lançar logo o novo programa social. Precisam disso, tal qual o presidente, nas eleições do ano que vem. Guedes, fragilizado, acredita um auxiliar de Bolsonaro, acabará cedendo para se manter no cargo.

Como o Bastidor informou, a informações de seus quase 10 milhões de dólares em offshore nas Ilhas Virgens, um paraíso fiscal, ajudou a reforçar a insatisfação dos parlamentares com a gestão da Economia.