Apetite da Azul pode virar indigestão no Cade

Arnaldo Galvão
Publicada em 31/05/2021 às 19:09
Foto: Bruno Santos/Folhapress

O Cade está perto de enfrentar um difícil julgamento no mercado da aviação comercial com as movimentações da Azul para comprar o controle de uma de suas concorrentes Latam ou Gol.

Se uma aquisição desse porte se concretizar, os integrantes do Conselho Administrativo de Defesa Econômica terão pela frente a redução de três para duas competidoras, o que pode significar prejuízos à concorrência e aos consumidores.

A análise do Cade nesse caso seria complexa e advogados especializados apostam que dificilmente seria aprovada sem grandes restrições. Alguns afirmam que o negócio pode ser rejeitado integralmente.

Além da verificação técnica em cada rota, a malha nacional também será considerada. Azul e Latam desfizeram um acordo de compartilhamento de rotas que foi iniciado em 2020 com a brusca redução da demanda decorrente da pandemia. Desde julho do ano passado a Latam está em regime de recuperação judicial nos Estados Unidos.

Outro ponto que pode ser discutido em um ato de concentração liderado pela Azul é se o encolhimento do mercado de aviação no Brasil comporta três concorrentes nacionais.  

Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil, o mercado doméstico em abril deste ano foi liderado pela Azul, com participação de 45,1%, seguida por Latam com 28,5% e Gol com 26%. A comparação com abril de 2019 mostra quedas de 64% nos passageiros transportados, 61,1% na demanda por voos e 59% na oferta de assentos.