O fim do mandato do presidente interino Otto Lobo, nesta quarta-feira (31), leva a Comissão de Valores Mobiliários a um cenário de esvaziamento institucional, com apenas dois dos cinco assentos do colegiado ocupados. A partir desta semana, permanecem na cúpula da autarquia apenas os diretores que restaram, João Accioly e Marina Copola.

A redução é resultado de meses de vacâncias na diretoria, agravadas após a renúncia de João Pedro Nascimento, em julho — dois anos antes do término de seu mandato — e da falta de definição para a presidência. Com apenas dois integrantes, o colegiado passa a enfrentar restrições para deliberar sobre julgamentos, análise de recursos e decisões regulatórias.

Instância máxima de decisão da autarquia, a diretoria da CVM é formada por quatro diretores e um presidente, com mandatos de cinco anos. Com a saída de Lobo, o comando interino passa a João Accioly, diretor mais antigo do colegiado.

Recentemente, Accioly foi relator do julgamento que absolveu, por unanimidade, a ex-presidente da Petrobras Maria das Graças Foster e outros cinco ex-diretores, acusados de causar prejuízo de 2,8 bilhões com o fracasso das refinarias Premium I e II.

Ao lado dele permanece Marina Copola, apontada pelo Bastidor como um nome forte para assumir a presidência. A definição, porém, depende de indicação formal do governo e de sabatina no Senado, hoje travadas pelo desgaste na relação entre o Planalto e a Casa.

Na discussão sobre a nova composição da diretoria, o nome de Ferdinando Lunardi chegou a ser cogitado, mas teve o nome descartado após reportagem do Bastidor que apontou potenciais conflitos de interesses envolvendo sua atuação profissional e a de sua esposa, Luciana Dias, que é árbitra da Câmara de Arbitragem do Mercado, a CAM, ligada à B3.