Não é novidade para ninguém que Augusto Aras é considerado um protetor do governo Jair Bolsonaro, mesmo sendo uma das duas autoridades da República que pode abrir processos contra o presidente – a outra é o presidente da Câmara, Arthur Lira. 

Ontem (31/11), além de ajudar a enterrar o caso das rachadinhas de Flávio, a PGR defendeu Bolsonaro no caso do depoimento por suspeita de interferência na PF. Também apresentou argumentos pró-governo no processo que apura a troca de informações privilegiadas entre Roberto Campos Neto, presidente do BC, e André Esteves, do BTG Pactual.

Sobre o depoimento, Aras afirmou que as informações prestadas por Bolsonaro à PF sem a participação da defesa de Sergio Moro e da própria PGR ocorreram conforme havia determinado Alexandre de Moraes.

Celso de Mello, que instruía a investigação antes de se aposentar, havia determinado a participação de todas as partes no depoimento. Mas Moraes reformou a decisão afirmando não ser necessária a participação de procuradores ou dos advogados do ex-ministro da Justiça.

Em relação ao caso de Campos Neto e Esteves, Aras afirmou que o caso não passou de um erro de comunicação a partir de notícias da imprensa. Esse argumento foi apresentado pelo banqueiro. 

Para o PGR, assim como disse Esteves, as conversas foram legais por terem ocorrido no âmbito de diálogos institucionais e corriqueiros que o Banco Central mantém com diretores de bancos para definir balizas para suas políticas monetárias.

“Não existe nenhum elemento indicativo de que o suposto diálogo informal, já desmentido pelos noticiantes, tivesse potencial de ofender a integridade, a eficiência e o regular funcionamento do mercado de valores mobiliários, bem jurídico tutelado pelo tipo penal imputado na petição”, afirmou Aras.