Delator da Lava Jato pede que STF anule provas ligadas a sistemas de propina da Odebrecht

Brenno Grillo
Publicada em 05/10/2021 às 13:27
Glauco Legatti, então gerente da Refinaria Abreu e Lima, presta depoimento, em 2015, à CPI da Petrobras, na Câmara dos Deputados. Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

Glauco Legatti contactou os procuradores da Operação Lava Jato em 2016 para admitir que recebeu US$ 7 milhões em propinas da Odebrecht. Mas as tentativas de firmar um acordo de delação premiada foram frustradas. Agora, o ex-engenheiro da Petrobras pede ao STF que as provas obtidas a partir dos sistemas de propina da empreiteira sejam anuladas, assim como sua condenação.

Legatti, que responde na Justiça pelo recebimento de R$ 2 milhões das propinas que confirmou ter recebido, é representado por Figueiredo Basto. O advogado, conhecido por conseguir diversos acordos de delação e leniência no início da Lava Jato, foi denunciado pelo MPF em 2020.

Ele é acusado de tráfico de influência qualificado e associação criminosa por cobrar "taxa de proteção" de seus clientes envolvidos na investigação, por exemplo, o doleiro Dario Messer.

Basto pediu a Ricardo Lewandowski que estenda os efeitos das decisões concedidas a Lula e Walter Faria (do Grupo Petrópolis) para suspender as ações iniciadas a partir do acordo de leniência da Odebrecht. No fim de junho, o ministro do STF proibiu o uso de quaisquer provas do acordo no caso de Lula por julgar que há nulidades na leniência.