Um relatório da Receita Federal, produzido na Operação Spare, desdobramento da Operação Carbono Oculto, aponta que três empresários suspeitos de participar de um esquema do PCC (Primeiro Comando da Capital) de fraude e lavagem de dinheiro fizeram viagens internacionais para negociar a importação de combustível adulterado.
O principal personagem é Flávio Silvério Siqueira, considerado líder do esquema de adulteração de combustíveis e lavagem de capitais. Em 2023, Flávio viajou com Maurício Oliveira, dono de uma rede de franquias da Boticário — suspeitas de serem usadas para lavar dinheiro do esquema —, e Leandro Cavallari, que intermediava o repasse dos valores ao PCC, de acordo com a investigação que levou à Carbono Oculto.

Um trecho do documento sigiloso obtido pelo Bastidor mostra que o trio esteve em Portugal, Arábia Saudita, Itália, Argentina e Israel. Embora não haja informações precisas sobre o propósito das viagens, depoimentos e mensagens coletados na Operação Carbono Oculto indicam que o grupo pode ter ido negociar a importação e a exportação de combustíveis adulterados. Segundo pessoas a par das investigações, depoimentos mencionam um projeto de Flávio de expandir o esquema no exterior.
As investigações apontam, além das viagens, vínculos comerciais entre os três. Segundo o Ministério Público de São Paulo, o helicóptero adquirido por Maurício por 6 milhões de reais pertenceria, na realidade, a Flávio.
O relatório ainda menciona um empréstimo de 1,5 milhão de reais feito por Maurício a Eduardo Silvério, irmão de Flávio e também alvo da Operação Spare. De acordo com as investigações, Maurício usou suas lojas franqueadas da marca Boticário para lavar cerca de 4 milhões de reais do esquema.
Já Leandro Cavallari, investigado na Operação Carbono Oculto, é sócio de duas empresas do ramo imobiliário com Adriana Siqueira Oliveira, irmã de Flávio e Eduardo. Segundo o relatório, essas empresas também foram usadas para lavar dinheiro do grupo criminoso. Cavallari não é investigado oficialmente na operação Spare, mas é citado nos autos.
A atuação de Cavallari foi detalhada na Operação Carbono Oculto. Ele recebia dinheiro das lojas de conveniência de Ricardo Romano, empresário ligado a Mohamad Mourad, dono da Copape, e então repassava os valores à facção.
A esposa de Cavallari, Daniela Cristina da Costa, também aparece nas investigações por relações comerciais com José Carlos Gonçalves, conhecido como “Alemão”, apontado como operador financeiro do PCC. Daniela comprou um veículo Audi Q5, avaliado em 405 mil reais, da empresa 2 Irmãos Participações e Intermediações, administrada por Alemão.
O Bastidor tentou, mas não conseguiu contato com as defesas dos envolvidos.
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