A Operação Carbono Oculto, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo e pela Receita Federal, revelou que o caixa do Primeiro Comando da Capital (PCC) é alimentado com recursos vindos de um esquema de fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, comandado em parte por Mohamad Hussein Mourad, dono da Copape.

A investigação aponta a participação de pelo menos três empresários com vínculos com o PCC, suspeitos de terem atuado na lavagem de dinheiro dentro do esquema: Ricardo Romano, José Carlos Gonçalves, conhecido como Alemão, e Leandro Cavallari, indiciado como operador responsável por intermediar o repasse de valores ao caixa da facção criminosa. Os investidores descobriram que eles fizeram negócios com Mohamad.

Apesar de as apurações indicarem que o PCC se beneficiou do esquema de fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, a investigação ainda não conseguiu estabelecer uma relação de comando da facção sobre a engrenagem criminosa, que envolve adulteração de combustíveis, sonegação de impostos e uso de fundos de investimento para guardar dinheiro ilícito.

Em resumo, o PCC se beneficiou da arrecadação, mas os investigadores não conseguiram mostrar – se é que conseguirão – que integrantes da facção comandam o negócio de combustíveis.

Segundo o Ministério Público e a Receita Federal, Romano e Alemão também mantinham relações com Antonio Vinicius Lopes Gritzbach, assassinado em 2024 e apontado como um dos responsáveis por lavar dinheiro de integrantes do PCC.

Documentos obtidos pelo Bastidor mostram que Romano mantinha relação próxima com a família de Mohamad Mourad, dono da Copape. Em 2023, Romano comprou 18 lojas de conveniência em postos de combustíveis, todas abertas nos mesmos endereços onde antes funcionavam unidades da rede de Amine Hussein Ali Mourad, irmã de Mohamad.

Em 2024, Romano transferiu as lojas de conveniência para Osny Araújo da Silva — apontado pelo MP como seu “testa de ferro” — e para a Shelby Holding. Para os investigadores, a operação foi feita para camuflar os beneficiários finais, já que Osny não tem capacidade econômica compatível com esses negócios.

Romano também comprou postos de combustíveis de redes já investigadas. O fluxo financeiro dessas unidades era operado por meio da fintech BK Bank, usada para a lavagem de dinheiro. Parte dos valores era direcionada depois a Leandro Cavallari, identificado como intermediário entre o esquema e o PCC.

Já Alemão utilizava o expediente de trocas sucessivas de sócios em empresas de combustíveis para ocultar os verdadeiros proprietários. Ele mantinha vínculos diretos com a família Gonçalves Salomão, que repassou postos de combustíveis para Romano, também sob investigação por lavagem em favor do PCC. Em 2020, Alemão já havia sido preso na Operação Rei do Crime, da Polícia Federal, que mirou empresários ligados ao PCC.

Outro ponto destacado pela investigação é a atuação do contador Valdinei Aparecido Borges, responsável por empresas ligadas a Alemão. Ele compartilhava procurações em oito companhias com Marcelo Ognibene, contador do grupo de Mohamad Mourad. Juntas, essas empresas movimentaram mais de 1,64 bilhão de reais entre 2020 e 2024.

O Bastidor tentou, mas não conseguiu contato com as defesas dos envolvidos.

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