O governo mudou pela segunda vez o prazo para votar a PEC que acaba com a escala de trabalho 6×1. A meta agora é aprovar o texto antes do primeiro turno das eleições, em 4 de outubro, depois de a tentativa de votar antes do recesso de 18 de julho não ter vingado. Aprovada pela Câmara no fim de maio, a proposta está há mais de um mês parada no Senado.
O fim da escala de seis dias de trabalho por apenas um de descanso é uma das principais bandeiras da campanha do presidente Lula à reeleição. O novo prazo atrapalha o governo e é incerto, pois o Congresso terá só duas semanas de esforço concentrado antes da eleição: entre 10 a 14 de agosto e entre 31 de agosto e 4 de setembro.
A PEC foi atrasada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que não despachou o texto para a Comissão de Constituição e Justiça. Ao mesmo tempo, Alcolumbre encaminhou no mesmo dia para a comissão, uma PEC elaborada pela oposição que anula os efeitos do fim da escala 6×1.
No mês passado, o presidente da CCJ, Otto Alencar, chegou a viajar de Salvador a Brasília, numa semana de trabalhos semipresenciais, só para uma reunião marcada com Alcolumbre. Não foi recebido: o encontro foi cancelado sem explicação. Otto queria pedir que a tramitação da PEC começasse ainda em meados de junho.
O atraso da PEC é consequência do rompimento de Alcolumbre com o presidente Lula. A nova líder do governo no Senado, Teresa Leitão, e o novo líder do PT na casa, Camilo Santana, tentam marcar uma conversa entre os dois para retomar a relação.

