Apesar do seu gigantismo, as três operações deflagradas na quinta-feira (28) contra a infiltração do crime organizado no setor de combustíveis foram um fiasco em termos de prisões. Apenas seis dos oito alvos de uma delas, a operação Tank, foram presos. O principal, Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo, dono da Copape e suspeito de ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital), escapou. O mesmo aconteceu com seu parceiro de negócios ilícitos, Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco.

Mohamad e Silva são apontados como líderes do esquema de fraude e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis na parte que beneficiou a maior facção criminosa do país. Ambos são considerados foragidos desde ontem. Em suas residências foram apreendidas apenas joias, dinheiro e veículos.

Mohamad tem parentes no Líbano. Segundo investigadores, ele tem proximidade com integrantes do grupo terrorista Hezbollah. Isso poderia facilitar uma fuga para fora do Brasil, aproveitando a logística da organização criminosa. Oficialmente, a Polícia Federal ainda não sabe explicar como eles fugiram.

Além da dupla, seis pessoas estão foragidas:

  • Renato Renard Gineste
  • Rodrigo Renard Gineste
  • Daniel Dias Lopes
  • Miriam Fávero Lopes
  • Celso Leite Soares
  • Felipe Renan Jacobs

Nas buscas realizadas em escritórios da Faria Lima, em São Paulo, o Ministério Público de São Paulo e a Polícia Federal encontraram poucos materiais de interesse para as investigações. Foram apreendidos celulares, computadores e cadernos de anotações, mas parte dos endereços estava praticamente vazia — fortes indícios de que houve uma fuga planejada.

Durante entrevista coletiva, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, admitiu que o número de mandados de prisão cumpridos foi baixo e afirmou que, caso surjam indícios, será investigado um possível vazamento de informações da operação. Promotores do Ministério Público de São Paulo afirmam que a falta de coordenação entre as forças de investigação gerou prejuízos significativos, sobretudo no trabalho de inteligência.

Um exemplo foi o cumprimento de mandados em escritórios na Faria Lima: promotores chegaram com mandados de busca e apreensão expedidos pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, enquanto policiais federais atuavam com mandados de prisão e busca autorizados pela Justiça Federal.

Caminhões abandonados

Nesta sexta-feira (29), a Polícia Rodoviária Federal (PRF) encontrou 12 caminhões da G8Log, empresa de transporte de combustíveis de Mohamad, abandonados em um posto de combustíveis em Camaçari, na Bahia. O dono do posto estranhou o grande número de carretas estacionadas sem motoristas e acionou a polícia.

De acordo com relatório da operação Carbono Oculto, os caminhões e veículos usados pela empresa de transporte de combustíveis de Mohamad eram todos alugados de duas locadoras: Blue Star e Locar Locadora, ambas ligadas ao esquema criminoso.

Segundo pessoas próximas às investigações, o abandono da frota indica que Mohamad e Beto Louco não deixaram substitutos para administrar os negócios durante a fuga.

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