Por 3 a 0, o colegiado da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) decidiu nesta terça-feira (25) que a Centaurus Capital precisa fazer uma Oferta Pública de Aquisição de ações (OPA) aos acionistas minoritários da Oncoclínicas. A oferta pode custar 6 bilhões de reais.

O caso representa uma derrota para a Centaurus Capital e para o Goldman Sachs, maior banco de investimentos do mundo. Como mostrou o Bastidor, num movimento tático que indicava a certeza de derrota, no dia 21 o Goldman Sachs e a Centaurus Capital pediram, por meio do fundo Josephina III, a abertura de arbitragem na CAM, a câmara da B3, para questionar a obrigatoriedade de uma OPA da Oncoclínicas.

O colegiado da CVM julgou nesta terça um recurso apresentado pelos minoritários. A reunião estava prevista para começar às 10h. Porém, por receio de vazamentos, foi transferida para a noite, em uma sessão mais reservada. Segundo uma pessoa que acompanhou o julgamento, a sessão começou pouco depois das 18h e terminou após às 21h.

Participaram do julgamento o presidente da CVM, Otto Lobo, e os diretores João Accioly e Igor Muniz. A diretora Marina Copola não participou por estar impedida. A quinta cadeira do colegiado está vaga.

A decisão contraria o entendimento da Superintendência de Registro de Valores Mobiliários (SRE), área técnica da autarquia, que havia concluído que a Centaurus não precisava fazer a oferta.

O caso começou após uma reorganização dos investimentos de Goldman Sachs e Centaurus na Oncoclínicas. O fundo Josephina III, ligado à Centaurus, passou a deter 31,83% da companhia. Os minoritários argumentaram que a operação acionou uma cláusula do estatuto que obriga a realização de uma OPA quando um acionista alcança 15% do capital. A Centaurus sustentava que já tinha participação econômica na Oncoclínicas antes da abertura de capital e que a operação apenas reorganizou um investimento existente.

Como mostrou o Bastidor na sexta-feira (21), servidores da CVM que acompanhavam o processo avaliavam que o ambiente no colegiado era mais favorável à tese dos minoritários. O presidente da autarquia, Otto Lobo, vinha demonstrando entendimento de que a OPA era obrigatória.

O valor de 6 bilhões de reais para a oferta de ações é uma estimativa de mercado. Pelas contas defendidas pelos minoritários, liderados pela gestora Latache, a oferta deve superar 16 reais por ação. Atualmente, o valor da ação não ultrapassa 2 reais.