Num movimento tático que indica a certeza de derrota iminente na CVM numa das principais disputas em curso no Brasil, o Goldman Sachs, maior banco de investimento do mundo, e a Centaurus Capital, por meio do fundo Josephina III, pediram ontem à noite a abertura de arbitragem para questionar a obrigatoriedade de uma OPA da Oncoclínicas. O Bastidor teve acesso exclusivo a documentos e detalhes do caso.

Trata-se de uma oferta pública de ações que, na prática, obrigaria o Goldman, principal player da disputa, a pagar cerca de 6 bilhões de reais aos acionistas minoritários da Oncoclínicas. Desde o começo do ano passado, os minoritários, liderados pela gestora Latache, sustentam perante a CVM que Goldman e Centaurus, por meio de investimentos conjuntos, acionaram o gatilho da OPA ao ultrapassarem 15% do capital da companhia. Goldman e Centaurus afirmam que houve apenas uma “reorganização de investimentos” entre as partes.

A CVM marcou para a próxima terça a sessão em que os diretores definirão se a OPA precisa ser feita. O parecer da área técnica, produzido, conforme apontou o Bastidor, num processo repleto de movimentos atípicos, é contra a obrigatoriedade da OPA. Os minoritários recorreram ao colegiado da CVM. Cabe agora aos diretores da autarquia a decisão final sobre o caso.

A dupla Goldman e Centaurus entrou com o pedido de arbitragem na CAM, a câmara da B3, no mesmo dia em que o Bastidor antecipou, de acordo com fontes da CVM, a tendência de que os diretores do colegiado aprovem a obrigatoriedade da OPA.

O Josephina III, veículo formal do Goldman e da Centaurus na disputa, acionou a arbitragem, porém, apenas contra os veículos da Latache que detêm ações da Oncoclínicas. Os demais minoritários ficaram de fora da representação. A estratégia jurídica e regulatória do Goldman e da Centaurus está a cargo dos escritórios Mattos Filhos e Bermudes.

Goldman e Centaurus poderiam ter buscado a arbitragem em qualquer momento. O movimento brusco, às vésperas da decisão final da CVM, aponta não só para a certeza de derrota na autarquia como para uma tentativa de diminuir o custo da conta da OPA.

O problema é que a decisão da CVM, caso seja de fato pela obrigatoriedade da OPA, beneficiaria todos os acionistas minoritários, incluindo a Latache, independentemente do processo arbitral. Ademais, ao representar na CAM apenas contra os veículos da Latache, a dupla Goldman e Centaurus indica à própria CVM e ao mercado, mesmo que não fosse essa a intenção, aceitar como fato a realização da OPA.