O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, autorizou o compartilhamento com a Polícia Federal dos dados obtidos pela Polícia Civil de São Paulo na operação contra Karina Ferreira da Gama, produtora do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. É a segunda investigação da PF sobre o caso.
A ação sob a relatoria de Dino investiga a suspeita de que recursos de emendas parlamentares – ou seja, dinheiro público – tenham sido desviados para bancar a produção do filme. O pedido de compartilhamento partiu da Polícia Federal. O caso está sob relatoria do ministro por conexão com a ADPF 854, que trata da transparência no repasse de emendas a ONGs. A investigação corre sob sigilo.
Em junho, a Polícia Civil de São Paulo deflagrou uma operação contra Karina numa investigação sobre suspeitas de fraudes e desvios de recursos públicos no contrato entre sua ONG, o Instituto Conhecer Brasil, e a Prefeitura de São Paulo. Karina também é dona da Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme. A operação incluiu buscas nas sedes das duas empresas e em dois endereços residenciais dela.
As emendas em questão foram apresentadas por cinco parlamentares. Um deles é Mário Frias, do PL, que destinou 2 milhões de reais em emendas à ONG de Karina, em 2024. Em maio, Mário Frias negou que suas emendas tenham sido direcionadas à produção do filme.
Em outra investigação, a PF apura a suspeita de que parte dos 60 milhões de reais dados pelo banqueiro Daniel Vorcaro, do banco Master, para a produção do filme, a pedido de Flávio Bolsonaro, tenha sido usada para outros fins, como sustentar Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Por estar relacionada ao caso Master, essa investigação está sob relatoria do ministro André Mendonça.
Em maio, quando seu pedido de dinheiro a Vorcaro foi descoberto, o senador Flávio Bolsonaro disse que havia ordenado uma auditoria nos custos da produção do filme e que o resultado seria divulgado em 30 dias. Até hoje, Flávio não divulgou o resultado. Perguntado sobre a auditoria, no dia 20 ele disse que o caso era “página virada”.
O Bastidor tentou contato com a defesa de Karina Gama e com a Go Up Entertainment, mas não obteve resposta.

