A oposição trabalha para adiar a votação da PEC que acaba com a escala 6×1 no Senado até depois das eleições de outubro. A articulação é conduzida pelo senador Rogério Marinho, do PL, coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, e prevê o uso de pedidos de vista, apresentação de emendas e outras manobras regimentais para prolongar a tramitação do texto e evitar que ele chegue ao plenário antes ou entre os dois turnos da eleição.
Marinho se reuniu na semana passada com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e articula um novo encontro nos próximos dias. O pedido que pretende levar é que a votação não aconteça antes do primeiro turno, nem no intervalo entre os turnos, para evitar que a proposta seja usada como bandeira de campanha pelo presidente Lula nos últimos dias da disputa.
A movimentação ganhou força depois que Lula retomou o diálogo com Alcolumbre, o que destravou a tramitação da PEC, que estava parada desde maio. Na quinta-feira, 20, Alcolumbre enviou a matéria à Comissão de Constituição e Justiça.
O Partido Liberal cogitou sugerir o senador Efraim Filho como relator da matéria na CCJ. Efraim defendia publicamente que a redução da jornada fosse acompanhada por mecanismos de flexibilização e assinou a PEC alternativa apresentada por Marinho, batizada de PEC do horário flexível, que acaba na prática com os efeitos do fim da escala 6×1.
Mas, como é candidato à reeleição, Efraim preferiu não assumir a relatoria por falta de tempo e para evitar assumir uma posição impopular.
Davi Alcolumbre indicou o senador Omar Aziz, aliado de Lula, para relatar a proposta. Aziz pretende apresentar seu parecer durante a semana de esforço concentrado do Congresso, que começa no dia 31 de agosto. Diante disso, a oposição passou a concentrar sua atuação na negociação direta com Alcolumbre sobre o calendário de tramitação.
A PEC alternativa apresentada por Marinho, por sua vez, segue parada. O texto prevê a possibilidade de escolha entre o modelo tradicional de trabalho pela CLT e um sistema baseado nas horas efetivamente trabalhadas, com compensação e redução de jornada por acordo individual, convenção coletiva ou negociação direta.

