Em decisão da semana passada, o Tribunal de Justiça de São Paulo recebeu a denúncia do Ministério Público de São Paulo contra os integrantes da quadrilha que roubou 813 milhões no maior ataque ao sistema financeiro já registrado no país. Um trecho do documento, obtido pelo Bastidor, revela que os criminosos mantêm o equivalente a 667 milhões de reais em criptomoedas, fora do alcance da Justiça.

Autoridades que atuam na investigação dão o valor como perdido. A impressão é reforçada pela mais recente decisão da juíza do caso, Márcia Mayumi Okoda Oshiro, que afirma que os criminosos ocultaram, dissimularam a origem, localização, disposição e movimentação do dinheiro.

A juíza Oshiro manteve as prisões preventivas de todos os envolvidos, incluindo os foragidos que foram presos fora do Brasil, mas que foram liberados para prisão domiciliar na Espanha. São eles: Italo Jordi dos Santos Pireneus, o Breu, um dos principais líderes do roubo, Thaís Penalva Lima, sua esposa, Henrique Magnavita Lins, Emerson Alves da Silva, Wesley do Nascimento Lopes e Rômulo de Oliveira Carvalho.

Breu e outros seis integrantes da quadrilha fugiram do país logo após o roubo em um jatinho particular para Argentina. De lá, se dispersaram pela Europa. O contratante do voo ainda é desconhecido, como mostrou o Bastidor.

No Brasil, todos os réus seguem presos, como Patrick Zanquetim de Morais, principal responsável pela lavagem do dinheiro, mesmo após diversos pedidos de habeas corpus.

As investigações continuam. Uma das questões a esclarecer é como a quadrilha montou a estrutura bancária para o roubo através de fintechs. Na decisão, a juíza autorizou o compartilhamento das provas com um novo inquérito que tramita em segredo de justiça.

O montante de dinheiro ainda em posse da quadrilha é vísivel pelas contratações de renomadas bancas de advogados em Brasília para defender os suspeitos. Os criminosos tentam se livrar de prisões através de habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça, que já negou todos.