O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) enviou ao gabinete do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), a cópia de um documento em que explica ao Governo do Distrito Federal (GDF) o motivo da demora para a liberação dos 6,6 bilhões de reais que podem salvar o BRB.

Segundo o documento, de 6 de agosto, o governo do Distrito Federal e o BRB ainda não encaminharam ao FGC o balanço financeiro auditado de 2025 e do primeiro semestre de 2026. Sem os dados, o fundo considera que não é possível fazer o aporte, fundamental para manter a saúde financeira do banco estatal.

“O FGC não é uma instituição financeira. Sua atribuição basilar é prestar garantias aos depositantes e investidores de instituições associadas em caso de decretação de liquidação pelo Banco Central do Brasil. O FGC também possui a faculdade de conceder operações de assistência às suas associadas quando avaliar, de acordo com seus processos e exclusivo critério, que tais operações são economicamente e juridicamente pertinentes, inclusive de forma prospectiva”, diz trecho do documento do FGC.

O BRB está atrasado com a publicação de seu balanço de 2025, justamente devido aos negócios feitos com o Master. O banco afirma que só divulgará suas demonstrações financeiras depois da conclusão do processo de capitalização com o dinheiro do FGC.

O acordo firmado com a anuência do Supremo Tribunal Federal prevê que os 6,6 bilhões de reais do FGC sejam pagos em parcelas durante 15 anos. O governo do Distrito Federal diz que o dinheiro para o pagamento sairá do caixa do banco, sem aportes do governo. As prestações começam a vencer dois anos depois da assinatura do contrato.

De acordo com investigações da Polícia Federal, o BRB comprou cerca de 12 bilhões de reais em títulos do Master porque o banqueiro Daniel Vorcaro pagou propina a diretores do banco estatal. O ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa recebeu 74 milhões de reais de Vorcaro; em troca, desrespeitou regras de compliance para ajudar o Master. Assim como Vorcaro, Costa está preso.

O Bastidor tentou contato com o BRB, mas a instituição não respondeu até a última atualização desta reportagem.