O Ministério Público de São Paulo denunciou parte dos integrantes da quadrilha acusada de realizar o maior roubo ao sistema financeiro já registrado no país. Segundo a investigação, os criminosos desviaram 813 milhões de reais de contas vinculadas a oito bancos, converteram os valores em criptomoedas e, depois, deixaram o Brasil em um jatinho particular.

O MP denunciou um dos principais líderes da quadrilha, Ítalo Jordi dos Santos Pireneus, conhecido como Breu, pelos crimes de lavagem de dinheiro, organização criminosa e furto qualificado. Ele está preso na Espanha. Junto dele, foram denunciados, pelos mesmos crimes e apontados como coordenadores do roubo, Henrique Magnavita Lins, o Russo, Wesley Nascimento Lopes, o Spider, e Rômulo de Oliveira Carvalho.

Ao todo, 19 pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público. Entre elas está o corretor de criptoativos Patrick Zanquetim de Morais, acusado de lavagem de dinheiro e organização criminosa. A noiva dele, Nilla Vitória, não foi denunciada. Ela chegou a ser presa na primeira fase da Operação Magnas Fraus, da Polícia Federal, após receber criptomoedas adquiridas com dinheiro desviado em sua carteira digital.

As denúncias foram encaminhadas à Justiça de São Paulo e tramitam sob sigilo. O Bastidor teve acesso a trechos exclusivos da denúncia. A peça foi desmembrada em seis documentos, conforme os núcleos de atuação dos acusados no roubo. Todos os documentos são assinados pelo promotor Lister Caldas Braga Filho, do CyberGaeco, núcleo especializado em crimes cibernéticos do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado.

Na segunda denúncia, o Ministério Público descreve o núcleo responsável pela transformação dos 813 milhões de reais em criptomoedas. Foram denunciados por lavagem de dinheiro e organização criminosa Gustavo Morais Souza, conhecido como Gustavo Soffy, Amir Sena Bahmad, Mateus Medeiros Silva, Emerson Alves da Silva e Patrick Zanquetim de Morais, o Blade.

Na terceira denúncia, estão os acusados de receber e auxiliar na disposição dos valores desviados. Foram denunciados por lavagem de dinheiro e organização criminosa Luccas Dhụan Santa Rosa Pombal, o Barte, Gabriel Almeida Gertrudes e Willamy Dyego Felix Muniz.

Já na quarta e na quinta denúncias, o MP trata do núcleo que participou da logística do roubo. Foram denunciados Gregory Igor Magalhães Pessoa Costa, Thales Nobre da Costa e Marcos Paulo Pereira de Oliveira. Tony dos Santos foi denunciado em peça separada.

Na última denúncia, está o núcleo formado por laranjas e intermediários. Foram denunciados Thaís Penalva Lima, esposa de Breu, Fernando Otávio Silva de Sousa, irmão de Breu, e Hallisson Martins dos Santos.

Em paralelo à denúncia do Ministério Público, tramitam no Ministério da Justiça e Segurança Pública pedidos de extradição de Breu e de outros envolvidos presos na Espanha, Argentina e em Portugal. Segundo pessoas ligadas à investigação, a denúncia reforça as solicitações de extradição apresentadas pelo Brasil.

O impacto do roubo levou o Banco Central a reformular políticas regulatórias e a determinar o fim das chamadas contas-bolsão. Além disso, o caso resultou em um acordo de cooperação entre a Polícia Federal e a Febraban, entidade que representa os bancos. Apesar disso, o inquérito da PF segue em andamento para identificar outros possíveis envolvidos e apurar eventuais crimes relacionados.