Integrantes da quadrilha que realizou o maior roubo já registrado ao sistema financeiro do país, os irmãos Ítalo Jordi Pirineus dos Santos, conhecido como Breu, um dos mentores do ataque, e Fernando Otávio da Silva Sousa, que atuou como laranja, mantinham vida de luxo financiada com o dinheiro roubado em fraudes.
Segundo documentos obtidos pelo Bastidor, os irmãos gostavam de ostentar. Tinham carros de luxo (das marcas BMW, Lamborghini, Porsche), roupas de grifes estrangeiras, relógios caros e imóveis em regiões nobres de Goiânia.
A Polícia Federal encontrou registros de sete veículos em nome de Fernando Otávio – entre eles, três automóveis da marca BMW. Ele também é dono de um apartamento avaliado em quase 1 milhão de reais, localizado em uma área nobre de Goiânia. Além disso, possui, por meio de sua empresa Ferit — nome que, segundo a PF, seria uma referência às iniciais de Fernando e Ítalo — quatro imóveis na capital, avaliados em 685 mil reais.
A Polícia Federal encontrou vídeos em que os irmãos ostentam seus veículos. Um trecho do inquérito faz menção a um vídeo em que Breu comemora após adquirir um veículo Porsche Macan azul, avaliado em mais de 200 mil reais. Ele está acompanhado de Marcos Vinícius Machado, apontado como responsável por abrir contas para a quadrilha movimentar o dinheiro roubado.

O Bastidor obteve vídeos que mostram Breu dirigindo dos veículos, um Porsche e um BMW. Segundo os relatos, os vídeos foram publicados este ano.
Irmão de Breu, Fernando Otávio é proprietário de cinco empresas, todas abertas entre 2024 e 2025, com capital social superior a 200 mil reais. Entre elas, destaca-se a Fazenda Ouro Tropical, registrada com renda declarada de 5 milhões de reais, aberta um mês antes do ataque hacker — justamente no período em que a quadrilha chefiada por Breu planejava a invasão ao sistema da C&M Software.
Para investigação, todos os bens dos irmãos foram obtidos com dinheiro de ataques cibernéticos a bancos e foram apreendidos na segunda fase da operação Magna Fraus, em 30 de outubro, por determinação da Justiça de São Paulo.
Mensagens interceptadas pela PF entre Breu e Patrick Zanquetim de Morais, apontado como o principal lavador de dinheiro da quadrilha, mostram que a Lavanderia Brilho de Maria, aberta por Otávio em abril de 2024, pertence de fato a Ítalo Jordi. Em uma das conversas, ele afirma ter gastado 120 mil de reais no estabelecimento, o que reforça que Otávio era usado como laranja do irmão.
O inquérito aponta a participação de Otávio como laranja a partir de relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que identificaram movimentações financeiras atípicas e de alto volume. Entre março de 2023 e janeiro de 2025, mais de 15 milhões de reais passaram por suas contas bancárias — valor considerado incompatível com sua renda de agente de saúde pública da Prefeitura de Parauapebas (PA), com salário de 6,5 mil mensais até o final de 2023.
As transferências bancárias realizadas por Otávio revelam vínculos diretos com a quadrilha especializada em ataques cibernéticos. Entre 2023 e 2025, ele recebeu 5 milhões de reais da empresa Latam Tecnologia, fornecedora de serviços para corretoras de criptomoedas, principal moeda utilizada pelo grupo para lavar o dinheiro desviado. Além disso, recebeu 31 mil reais da JR Construções, empresa em que Breu possui procuração para gerir.
Otávio também transferiu cerca de 1,3 milhão de reais à esposa de Breu, Thaís Penalva Lima, apontada como outra laranja do esquema. Outro caso semelhante é o de Wesley Nascimento de Jesus, o Spider, ainda foragido, cuja companheira, Dheny de Miranda Oliveira Nascimento, recebeu quase 700 mil reais em transferências feitas por Otávio.
Os investigadores constataram que Dheny Miranda vendeu um apartamento em Goiânia para Otávio. Segundo a PF, no endereço imóvel foi registrado movimentações em contas bancárias que estavam sendo preparadas para o roubo.
Após o ataque à C&M Software, Breu viajou para a Argentina com parte quadrilha e, dias depois, embarcou com sua esposa, Thaís Penalva, em um voo para a Espanha. Ela voltou ao Brasil em 6 de setembro, em um voo que partiu de Madri, acompanhada de Otávio e de sua esposa, Joyce Borges dos Reis. As passagens custaram cerca de 38 mil reais. Breu foi preso em Madri, na Espanha, e Fernando Otávio em Goiânia.
Como mostrou o Bastidor, Fernando Otávio ainda matinha o Instituto Estrela Maria, fundado por sua mãe, Maria José Silva, uma organização não governamental em Parauapebas (PA). Nas redes sociais, ele aparece entregando cestas básicas e doações de cabelo. Até o momento, não há indícios de que a ONG tenha sido usada para desvio ou lavagem de dinheiro dos irmãos.
O Bastidor entrou em contato com as defesas de Fernando Otávio e Ítalo Jordi, mas não houve retorno.
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