A escolha do deputado federal Alfredo Gaspar, do PL, para vice de Flávio Bolsonaro, nesta quarta-feira (6), melhora significativamente a vida do ex-presidente da Câmara, Arthur Lira, na busca por uma das duas vagas no Senado por Alagoas. Tira do páreo um adversário e facilita suas negociações por apoio.
Com a saída de Gaspar, Lira não precisar mais negociar duas vagas simultâneas com aliados. Passa a negociar uma aliança em torno apenas de si mesmo, sem precisar acomodar outro nome do PL na chapa majoritária, o que era o caso quando o acordo original previa uma vaga ao Senado para ele, outra para Gaspar.
A candidatura de Lira ao Senado foi oficializada no último domingo (2) pela Federação União Progressista, formada por PP e União Brasil. Falta o que decide a corrida: um palanque. Lira não tem ainda um candidato a governador que o apoie e a quem possa apoiar.
A saída mais próxima é uma composição com o ex-prefeito de Maceió João Henrique Caldas, o JHC, do PSDB, que oficializa candidatura ao governo nesta quarta-feira. Sem esse acordo, Lira fica sem estrutura de campanha e sem tempo de televisão.
Seu adversário direto na disputa, o senador Renan Calheiros, do MDB, está mais amparado: tem o apoio do presidente Lula, o filho Renan Filho como favorito na corrida ao governo, e apoio de PSD, PSB e a Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB).
A relação de Lira com JHC azedou em 2024. Depois de apoiar a eleição dele para a prefeitura de Maceió, vencida com mais de 80% dos votos, e manter espaço na administração municipal com indicações de aliados, Lira viu o acordo se romper quando JHC questionou a combinação que previa a ele a candidatura ao governo e a Lira e Gaspar as duas vagas do Senado.
Valdemar Costa Neto, presidente do PL, interveio e destituiu JHC do comando local do partido, que migrou para o PSDB em março. Ainda não está definido se JHC vai apoiar Lira ao Senado ou lançar candidatura própria para a família, com a mãe, a senadora Eudócia Caldas, ou a mulher, Marina Cândida.

