O operador Patrick Zanquetim de Morais, de 32 anos, preso por envolvimento na lavagem de dinheiro do maior ataque hacker ao sistema financeiro do país, já participou de outras fraudes bancárias e invasões a bancos de dados de fintechs, segundo pessoas a par da investigação conduzida pela Polícia Federal.
Especializado em lavagem de dinheiro por meio do uso de criptomoedas, Zanquetim havia conseguido manter seu paradeiro oculto até então.
Em ação semelhante ao ataque ao sistema financeiro nacional, um grupo de hackers invadiu, em 16 de julho de 2024, o sistema da Fire Banking, fintech prestadora de serviços financeiros sediada em São Paulo. A ação dos criminosos envolveu o uso indevido de credenciais de um cliente, o que permitiu o acesso à plataforma e a execução de transações fraudulentas.
A própria empresa investigou a invasão e identificou que ao menos parte dos ataques partiram de um IP (Internet Protocol) de Goiás.
Em processo aberto na Justiça de Goiás, a fintech pede o ressarcimento de mais de 80 mil reais a Zanquetim e a WebGate Processadora de Pagamentos, empresa de fachada a ele vinculada.
Foram roubados 500 mil reais de uma conta gerida pela Fire. Os valores foram repartidos e transferidos para mais de 80 contas de laranjas, em um processo conhecido no setor de tecnologia bancária como pulverização — que consiste em distribuir o dinheiro entre múltiplas contas até tornar o rastreamento altamente improvável.
Segundo o dossiê produzido pela própria fintech e entregue à Justiça, parte da quantia foi depositada em uma conta da WebGate, vinculada a Zanquetim, mantida em uma agência do Sicoob, em Goiânia.
Do total roubado, a Fire Banking e o escritório Borges Advogados conseguiu articular com o banco a devolução de 400 mil reais. O restante, 100 mil reais, segundo fontes da empresa, foi convertido numa criptomoeda.
O processo contra Zanquetim tramita desde julho de 2024, mas a Justiça ainda não havia conseguido localizá-lo para intimação. Com a prisão do operador, o advogado Vinicius Borges, que representa a fintech, protocolou um novo pedido para que ele seja citado formalmente enquanto estiver detido.
O Bastidor procurou o atual dono da WebGate, Murilo Henrique, mas não obteve resposta.
O Bastidor também procurou o advogado Francisco Tadeu, que acompanhou Zanquetim durante a audiência de custódia realizada um dia após a prisão. Ele informou não ser o responsável pelo caso. Afirmou que uma advogada de São Paulo assumiu a defesa, embora não soubesse informar o nome dela. A reportagem também tentou contato com familiares de Zanquetim, mas não obteve retorno.

