O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, é alvo de quatro pedidos de convocação na CPI do Crime Organizado, que está em curso no Senado. Os requerimentos devem ser analisados na próxima sessão do colegiado, marcada para o dia 25 deste mês, depois do Carnaval.
Os pedidos são assinados pelo relator do colegiado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE) e pelos senadores Magno Malta (PL-ES), Carlos Portinho (PL-RJ) e Eduardo Girão (Novo-CE). Os parlamentares querem entender melhor a relação de Toffoli com o banqueiro Daniel Vorcaro e a sociedade oculta que o ministro mantinha no hotel Tayayá Ecoresort, no Paraná.
A lista de requerimentos inclui ainda convites ao ministro Alexandre de Moraes e à mulher dele, Viviane Barci de Moraes. Senadores de oposição pressionam para ter detalhes sobre o contrato que ela manteve para representar judicialmente o Banco Master, serviço pelo qual cobrou 129 milhões de reais, divididos em 36 meses.
Mesmo que os pedidos sejam aprovados, os ministros não são imediatamente obrigados a comparecer. Podem enviar respostas por escrito ou mesmo garantir habeas corpus no próprio STF, para evitarem a exposição, constrangimento e o desgaste público.
Em outra frente de investigação, o senador Fabiano Contarato, do PT do Espírito Santo, presidente da CPI , apresentou na quinta-feira (12) uma série de requerimentos para aprofundar a investigação sobre a gestora de investimentos Reag, parceira do Banco Master e suspeita de envolvimento em lavagem de dinheiro de organizações criminosas.
A CPI solicitou a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático da Reag e de seu fundador, João Carlos Mansur, e pediu ao Banco Central o envio integral do processo administrativo que resultou na liquidação extrajudicial da gestora. A comissão também quer convocar Mansur para depor.
A investigação busca esclarecer suspeitas de lavagem de dinheiro e possíveis conexões com o PCC, diante de indícios de que recursos possam ter circulado entre a Reag, o Banco Master e estruturas financeiras utilizadas pela facção criminosa. A Reag foi alvo de operações Carbono Oculto e a Compliance Zero, da Polícia Federal, que apuram esquemas de fraude e desvio de recursos no sistema financeiro.
Alessandro Vieira também protocolou no início de fevereiro requerimentos para convocar o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, a prestar esclarecimentos sobre o papel da instituição nas suspeitas de irregularidades e eventuais vínculos com o crime organizado.
Tramitam na CPI quatro requerimentos de convocação de Vorcaro, quatro relacionados à Reag e 11 que envolvem pessoas ligadas ao Banco Master. Os pedidos, que incluem quebras de sigilo e convocações, devem ser votados na próxima reunião do colegiado, no dia 25.
Leia a íntegra dos requerimentos de Contarato:

