A CPMI do INSS enviou, na quinta-feira (19), um ofício ao Supremo Tribunal Federal dando prazo de 48 horas para que a Corte informe quem utilizou, nos últimos cinco anos, um número de telefone que manteve contato com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
O pedido foi encaminhado ao diretor-geral do STF e solicita dados sobre os usuários da linha entre janeiro de 2021 e março de 2026. A iniciativa partiu após a comissão identificar, na quebra de sigilo do investigado, que o número está vinculado à estrutura administrativa do Supremo.
A confirmação foi feita junto a operadoras de telefonia por meio do sistema SITTEL, utilizado em investigações para verificar a titularidade de linhas telefônicas. A partir disso, a CPMI passou a tratar o caso como um possível indicativo de interlocução entre Vorcaro e alguém ligado à Corte.
De acordo com o presidente da comissão, senador Carlos Viana, o contato ocorreu no período da primeira prisão do empresário, em novembro de 2025, no contexto das investigações sobre o Banco Master.
No início de março, O Globo mostrou mensagens trocadas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes em 17 de novembro, data da primeira prisão do banqueiro. As mesmas mensagens vazaram da CPMI. Dias depois, Moraes negou ter mantido contato com Vorcaro.
Segundo o STF, análise técnica dos dados telemáticos de Vorcaro indicou que as mensagens não correspondem aos contatos do ministro. De acordo com a Corte, os registros extraídos do celular do empresário mostram que os prints estão associados a outros nomes da lista de contatos, e não a Moraes.
O pedido da CPMI é mais um lance do conflito travado entre Congresso e Supremo no caso Master. Na quinta-feira, o ministro Gilmar Mendes bloqueou a segunda tentativa da CPI do Crime Organizado de investigar negócios do ministro Dias Toffoli com o universo de fundos do Master.
Leia a íntegra do ofício:

