Cientistas da unidade da Fiocruz que ajudam a Anvisa a analisar a documentação entregue pela Coronavac criticam, reservadamente, a qualidade técnica dos estudos promovidos pela Sinovac e pelo Butantan. Também insistem que não receberam informações elementares para poder proceder à análise emergencial da Coronavac.
Eles trabalham no Instituto Nacional de Qualidade em Saúde, conhecido como INCQS. Essa unidade de excelência integra a Fiocruz, o SUS e é, historicamente, a referência brasileira em análise e controle de qualidade de vacinas. Não são políticos; são cientistas.
Como já escrevemos, esses técnicos e cientistas querem que os brasileiros tenham o maior acesso possível às vacinas disponíveis – desde que observados padrões científicos mínimos.
Até o momento, segundo tanto os técnicos da Anvisa quanto do INCQS, o Butantan não entregou informações confiáveis, que permitam verificar, entre outros pontos, a eficácia global da vacina. O Butantan nem sequer enviou dados clínicos sobre a capacidade da Coronavac de imunizar as pessoas. A lista de ausências ou dados incompletos é longa.
Na avaliação preliminar dos técnicos, o padrão científico da chinesa Sinovac para desenhar e desenvolver os testes no Brasil, na Indonésia e na Turquia fica aquém do desejável.
Uma vez que as lacunas de informação sejam preenchidas pelo Butantan, no entanto, os técnicos tendem a recomendar, diante da situação calamitosa, a aprovação do uso emergencial da vacina – a decisão final cabe aos diretores da Anvisa. Eles discutem como ressaltar à cupula da agência que a vacina não obedeceu aos padrões científicos desejáveis.

