O senador Cleitinho, do Republicanos, lidera a corrida pelo governo de Minas Gerais. Tem entre 30% e 37% das intenções de voto, e vantagem de até 15 pontos sobre os adversários, a depender do cenário, segundo pesquisa Quaest divulgada nesta terça-feira (28). Apesar das condições, Cleitinho sofre com resistências: a direita não confia nele.

No principal cenário testado, Cleitinho aparece com 30%, seguido por Alexandre Kalil (14%), Rodrigo Pacheco (8%), Bem Mendes (4%) e o governador Mateus Simões (4%). Em outras duas simulações, chega a 35% e 37%, mantendo folga sobre os concorrentes.

Apesar da dianteira de Cleitinho, a direita tende a apoiar Mateus Simões, candidato do ex-governador Romeu Zema, do Novo. Dois fatores favorecem Simões. Um é o fato de ser apoiado por Zema, que deixou o cargo com aprovação de 52%. O outro é o interesse do senador Flávio Bolsonaro, do PL, em ter Zema como seu vice na chapa presidencial. Se Zema aceitasse, o PL apoiaria Simões.

A direita desconfia de Cleitinho, considera seu comportamento errático. Avalia que o senador muda frequentemente de posicionamento e vota fora da linha do bolsonarismo em pautas relevantes. O principal caso aconteceu no ano passado. Apesar de estar na oposição ao governo Lula, Cleitinho se declarou favorável ao projeto que acaba com a escala 6×1, principal bandeira eleitoral do presidente.

Cleitinho chegou a negociar com o PL durante a janela partidária, mas permaneceu no Republicanos. Deputados mineiros afirmam que as negociações travaram diante da resistência interna liderada pelo deputado federal Nikolas Ferreira, o principal parlamentar do PL hoje, que sofre ataques da família Bolsonaro e de parte do próprio PL.

Nikolas nega. “Não procede. A decisão do governo vem do PL nacional. O que tenho com [Mateus] Simões foi sobre trabalho, nunca foi e nem é apoio ao governo. E nunca interferi na filiação do Cleitinho. Isso é narrativa pra colocar a culpa de tudo em mim”, afirmou.

Minas é considerada peça central na eleição nacional, e o PL tenta estruturar um palanque competitivo no estado. A resistência a Cleitinho está ligada ao risco de dividir a direita e comprometer a estratégia nacional da legenda.

Apesar da desconfiança, Cleitinho declarou apoio público a Flávio Bolsonaro. Na montagem da chapa, ele também avança em conversas para ter o senador Carlos Viana, do PSD, como vice.