A Odebrecht Engenharia protocou no último dia 21 a segunda versão de seu plano de recuperação judicial. O anterior foi rejeitado em dezembro do ano passado por favorecer demais o BTG, banco de André Esteves. Para superar esse problema, a nova proposta criou uma terceira modalidade de pagamentos.

A nova possibilidade prevê o pagamento em dinheiro, numa só vez, de 1,1% da dívida de cada credor interessado em até 10 dias úteis após o BTG depositar o financiamento de 120 milhões de dólares que prometeu à Odebrecht, para reestruturar a empreiteira do grupo Novonor.

O percentual foi definido com base na média dos descontos sobre os papéis de dívida que a Odebrecht acumula junto a investidores. O cálculo serve para tentar convencer os credores que reclamaram sobre o tratamento concedido justamente ao mercado de capitais pela empreiteira.

No plano apresentado em dezembro, o BTG propôs a criação de uma subclasse na ordem de pagamentos formada apenas por quem tem títulos a receber da empreiteira. Cada credor desse grupo receberia até 50 milhões de reais à vista ou o valor total em 20 anos, com início dos pagamentos daqui seis anos.

Na outra ponta, aos credores gerais, foi oferecido pagamento à vista de até 30 mil reais, ou do valor total parcelado em 20 anos, com seis anos de carência. A ideia foi aprovada – e depois anulada pela Justiça – porque o BTG é o maior credor individual da empreiteira e muitos outros têm até 30 mil reais a receber da Odebrecht.

A Justiça decidiu que essa soma de interesses, do banco e desses pequenos detentores de dívida, prejudicava excessivamente o restante dos credores. O entendimento foi aplicado porque, sem o BTG aceitar um desconto de quase 2 bilhões de reais na dívida que tem para receber da Odebrecht, a proposta não seria aprovada.

O banco só aceitou perder tanto dinheiro porque tem muito mais a ganhar com a restruturação da Odebrecht. Para ser o financiador principal da empresa, o BTG receberá 12 milhões de dólares pela estruturação do financiamento, juros de 18%, garantias pelo empréstimo, pagamento anual de 3,6 milhões de dólares e 10% de participação acionária assim que a empreiteira deixar a recuperação judicial.

Leia o novo plano de recuperação judicial protocolado pela Odebrecht em 21 de janeiro: