Passados 10 dias das invasões aos sites do Ministério da Saúde e de outros órgãos do governo federal, o canal que os hackers criaram no Telegram continua ativo. A empresa não tomou qualquer atitude, apesar das claras atividades criminais em andamento em sua plataforma. Criado por russos, o Telegram tem sede operacional em Dubai e uma rede de servidores distribuídos pelo mundo. Não costuma colaborar com autoridades nem derrubar canais, a não ser terroristas – o Telegram era a ferramenta preferida do Estado Islâmico, por exemplo.
O canal é um dos meios usados pelos hackers para distribuir os dados roubados das páginas oficiais brasileiras. O @minsaudebr – criado pelo Lapsus$ – tem, até às 16h50 desta terça-feira (21), pouco mais de 2,3 mil inscritos. O último envio de mensagem no canal foi feito no último dia 19 e tratava de “oportunidade de ganho para empregado Vivo ou Claro”.
Antes dessa data foram enviados dados supostamente secretos da Huawei e falhas técnicas no software da Apple usado em iPhones.
Como mostrou o Bastidor, a invasão a sites do governo se deu a partir de um repositório de senhas que permite o acesso ao broker da Claro/Embratel. E a administração federal tem sofrido para recuperar as informações, principalmente porque a PF não sabe como o ataque realmente ocorreu.
Tudo isso foi revelado depois que a Saúde confundiu a população. Marcelo Queiroga disse após o ataque que nenhum banco de dados tinha sido comprometido. Mas depois teve que se corrigir e afirmou que seu ministério nem sequer sabia da extensão da invasão.
O Bastidor questionou o Telegram se o canal seria desativado ou se houve alguma tentativa de inutilizar o meio de comunicação, mas não obteve resposta até a publicação desta notícia.

