São escassos os elementos que justificaram a busca e apreensão contra Márcio França. A operação da Polícia Civil de São Paulo deflagrada hoje visa avançar na investigação sobre um esquema de desvios em contratos de saúde firmados na gestão do ex-governador.
Na decisão em que autoriza a nova fase das investigações, à qual o Bastidor teve acesso, o juiz estadual Leonardo de Mello Gonçalves não cita evidências da alegada participação do ex-governador no esquema. Também não detalha quais crimes decorreriam dos fatos apontados. Se existem evidências, não estão nos autos disponíveis à defesa e ao público.
Como elementos para acolher o pedido de busca contra o ex-governador feito pela polícia e acolhido pelo MP paulista, o juiz cita apenas três fatos:
1. Quando era governador, França decidiu abrandar uma punição administrativa de um dos ora investigados, o médico Cleudson Garci Montali;
2. Quando era governador, França assinou os contratos com as organizações sociais ora investigadas nos desvios; e
3. França, após a decisão de diminuir a punição ao médico, de demissão por uma suspensão de 30 dias, recebeu uma doação eleitoral dele no valor de R$ 10 mil, na campanha de 2018.
Apesar da falta de elementos contra França, há indícios contundentes sobre a existência de um esquema criminoso envolvendo o irmão do pessebista. Já houve condenações em primeira instância em virtude das primeiras descobertas da polícia, em 2021.

