Se faltam indícios sobre a participação de Márcio França no superfaturamento de contratos do governo de São Paulo, o mesmo não pode ser dito sobre seu irmão Cláudio França. A decisão que autorizou a operação de hoje (5) da Polícia Civil de São Paulo cita a existência de gravações envolvendo o médico e o dono de uma das empresas usadas no esquema de desvio de dinheiro público da Saúde paulista.

A conversa entre Cláudio e Franklin Cangussu Sampaio, segundo a Polícia Civil, serviu para organizar detalhes do esquema criminoso que usou companhias do empresário para dissimular valores e fazer contratações fraudulentas ou superfaturadas.

Em um desses diálogos, Gláucio e Sampaio discutiram a manutenção de um contrato firmado para o uso de um equipamento por um centro médico público em Santos, a AME Santos. Afirma o juiz Leonardo de Mello Gonçalves que essa conversa ocorreu “unicamente com o objetivo de locupletação indevida”. “Razão pela qual se justifica as diligências solicitadas”, escreve.

Entre os investigados, estão José Rodrigues Araújo, Murilo Renato Meneguello, Julio Aparecido Moreira e Carlos Mitsuo Todo Junior. São suspeitos de sumir com documentos que comprovariam os contratos superfaturados.

A Polícia Civil pediu à Justiça uma devassa dos investigados. Quis completo acesso aos dados de todos os equipamentos eletrônicos dos investigados – foram 14 alvos entre pessoas físicas e jurídicas – e até a possíveis cofres encontrados nas buscas e apreensões. O juiz concedeu o pedido.