O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, trava duas lutas ao mesmo tempo, contra a Aneel e contra as refinarias. Entram para a extensa lista de desavenças de Silveira, que começou o ano brigando com o então presidente da Petrobras Jean Paul Prates sobre a distribuição de dividendos pela companhia.
Na Aneel, a briga de Silveira é contra o tempo. Recentemente, ele cobrou a agência por agilidade em julgamentos ainda pendentes. Não se trata de interesse público: Silveira teme que a Aneel não analise a venda da Amazonas Energia enquanto é válida uma medida provisória que facilita a operação e foi gestada no ministério.
Se a Aneel não concluir a análise até outubro, a recente compra das refinarias pela Âmbar, da J&F, pode ser afetada. Foi o ministério quem fez a MP que beneficia os irmãos Batista e joga a conta para o bolso do consumidor.
A briga com as refinarias envolve os preços cobrados pela Petrobras. As plantas privadas acusam a companhia dominante no mercado de manter o valor dos combustíveis muito abaixo do mercado internacional. Silveira, então, passou a acusar o setor de cobrar preços acima da média do mercado e pediu uma investigação sobre o assunto.
Desde o início do governo, Silveira procura acumular poder e influência, muitas vezes por meio desses conflitos. Sonha em ser candidato de Lula ao governo de Minas Gerais, em 2026. Porém, tem desagradado muita gente, tanto no setor público quanto no privado. Lutar em dois fronts nunca foi uma boa ideia.

