Em 90 anos de história, a obra mais rápida já produzida pela Odebrecht foi a homologação do pedido de recuperação judicial, concedido nesta quinta-feira (27). Em menos de seis horas depois de ser protocolado, o pedido foi aceito pelo juiz Paulo Furtado de Oliveira Filho, da 2ª Vara de Falências de São Paulo.
O pedido da Odebreht Engenharia e Construção envolve uma dívida de 4,6 bilhões de dólares, o equivalente a 25 bilhões de reais na cotação atual. Além da empresa principal, o acordo envolve outras 11 subsidiárias, incluindo offshores. O documento solicitando a ajuda judicial foi protocolado às 10h38 desta quinta-feira. Às 16h06, o juiz já havia aceitado.


Esse tipo de agilidade é pouco comum quando se trata de recuperações judiciais. O mais corriqueiro é que o prazo entre o pedido ser protocolado e o magistrado validar a solicitação seja de, pelo menos, 20 dias.
Essa demora ocorre porque a empresa deve anexar uma série de documentos ao processo, cujo conteúdo precisa ser verificado minuciosamente pelo juiz, o qual pode até mesmo solicitar perícia em alguns dados. Se isso ocorrer, o prazo pode se estender ainda mais.
No caso específico da Odebrecht, o juiz ainda determinou que o processo tenha tramitação prioritária, mesmo sem a empresa fazer essa solicitação nos autos.
Em nota, a companhia afirma que os objetivos são resolver dívidas atuais, reforçar o caixa, conseguir dinheiro para financiar novos projetos e ter capital de giro.
O juiz Paulo Furtado de Oliveira Filho é também o responsável pela recuperação judicial do Banco Cruzeiro do Sul. Ele nomeou o escritório AJ Ruiz Consultoria Empresarial como administradora judicial, comandado pela advogada Joice Ruiz Bernier.
Leia abaixo as íntegras do pedido e da decisão e confira, no canto direito, os horários em que os documentos foram protocolados:

