O Banco Genial anunciou nesta quinta-feira (4) que deixou a administração do fundo de investimentos Radford, apontado pelo Ministério Público de São Paulo como suspeito de ser parte de um esquema de lavagem de dinheiro de pessoas e empresas ligadas ao PCC, que operam fraudes e sonegação fiscal no setor de combustíveis.
O fundo foi um dos alvos da operação Carbono Oculto, em 28 de agosto, contra uma organização criminosa que movimentou cerca de 9 bilhões de reais via bancos, fintechs e fundos de investimento.
De acordo com as investigações, o Radford é parte dos negócios de Mohamad Hussein Mourad, dono da Copape, distribuidora de combustíveis apontada pelo Ministério Público de São Paulo como integrante do esquema de fraude, sonegação fiscal e de ligação com o PCC. A Copape está proibida de funcionar pela Agência Nacional do Petróleo.
O Radford é um fundo multimercado de crédito privado. Foi aberto após Mohamad e Roberto Augusto Leme da Silva, outro investigado, comprarem a usina Itajobi. O fundo recebeu 100 milhões de reais da usina por meio da BK Instituição de Pagamento. A fintech também é investigada por lavagem de dinheiro, após transacionar dinheiro de empresas ligadas a Mohamad.
Em nota à imprensa, o Banco Genial disse desconhecer qualquer ilegalidade praticada pelo fundo e que seguiu todos as normas de boas práticas, conhecidas como compliance.
Na nota, o banco afirma não ter participado da estruturação do fundo. Diz que o Radford “foi originalmente estruturado por outros prestadores de serviços” e que o Banco Genial assumiu sua administração em agosto de 2024.
Questionada pelo Bastidor às 9h15 sobre quem seriam esses “prestadores de serviço”, a assessoria do Banco Genial não respondeu. Também não informou se já entregou às autoridades as informações do fundo, conforme ordenou a Justiça de São Paulo no fim de agosto.
Clique aqui para ler a íntegra da nota enviada pelo Banco Genial.
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