O empresário João Carlos Falbo Mansur e sua gestora, Reag Investimentos, estão diretamente implicados na investigação que apura o uso de fundos de investimento na lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio de envolvidos no esquema criminoso de fraudes com combustíveis e suspeitos de ligação com o PCC, o Primeiro Comando da Capital.
A gestora foi alvo de busca e apreensão nesta quinta-feira (28) na Operação Carbono Oculto, conduzida pelo Ministério Público do Estado de São Paulo, com foco em combater a sonegação de impostos e o uso indevido do metanol importado para produção de gasolina adulterada, além dos crimes de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.
Documentos fiscais que compõem a investigação mostram que a Reag administra fundos ligados ao esquema liderado por Mohamad Hussein Mourad, dono da Copape, e por Roberto Augusto Leme da Silva.
Os relatórios a que o Bastidor teve acesso revelam que a Reag estruturou e administrou fundos como Mabruk II e Hans 95, apontados como instrumentos de lavagem de capitais e fraude fiscal.
A Receita identificou que Mansur figurava como sócio majoritário do Mabruk II, fundo que adquiriu créditos de usinas em recuperação judicial, debêntures de empresas do grupo de Mohamad e notas comerciais de companhias suspeitas.
O resultado foi a criação de um fluxo circular de dinheiro, que retornava para os mesmos grupos, travestido de operações financeiras legítimas.
Outro fundo, o Hans 95, também aparece sob controle de Mansur. O documento judicial é explícito: “João Carlos Mansur, da Reag, é o responsável pelo Hans 95 e está implicado na ocultação de valores sem origem usando o BK Bank”.
O BK Bank, uma instituição de pagamento, servia como “conta bolsão”, mecanismo capaz de embaralhar a trilha do dinheiro e burlar sistemas de monitoramento anti-lavagem.
O prelatório mostra ainda que a Reag atuava em conjunto com a Altinvest e a Trustee, formando um tripé de gestoras que criavam fundos em série para abrigar bens, imóveis e recursos do grupo investigado.
A suspeita é de que a Reag Investimentos foi transformada em peça-chave para a blindagem de patrimônio do grupo de Mohamad. Os fundos administrados pela empresa recebiam ativos de usinas sucroalcooleiras e, em seguida, os redistribuíam para outras estruturas, sempre mantendo a rede de ocultação.
No ano passado, o Bastidor mostrou que um fundo de investimentos administrado pela Reag, chamado Location, recorreu ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) contra a decisão da Agência Nacional de Petróleo (ANP) de suspender a licença de funcionamento da Copape. Seu pedido foi rejeitado.
Na lista de fundos ligados à Reag, além do Mabruk II e do Hans 95, constam nomes como Reag High Yield e Reag Leeds, todos sob investigação. O padrão, segundo a Justiça, é claro: aquisições superfaturadas, circulação de papéis sem valor real e o uso sistemático de debêntures e créditos para disfarçar operações ilícitas.
Mansur é citado repetidamente nos autos como figura que “assumiu a gestão e controle dos fundos” e “conectou as operações da Reag às instituições de pagamento usadas pelo grupo criminoso”.
O Bastidor procurou Mansur e a Reag na manhã desta quinta-feira (28), mas não teve retorno.
Operações paralelas
A operação do Ministério Público paulista ocorre em conjunto com outras duas, conduzidas pela Polícia Federal e Receita Federal. Uma delas mira a estrutura financeira da organização criminosa, que utilizava fintechs para movimentar o dinheiro ilícito obtido com fraudes no setor de combustíveis, além do uso de fundos de investimento para ocultação de patrimônio.
A outra tem como alvo uma organização criminosa no Paraná, que movimentou mais de 23 bilhões de reais com adulteração de combustíveis.
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