Reeleito neste domingo (25), o presidente Lula, do PT, governará com a maior bancada de oposição em seus quatro mandatos. O PL, partido de Flávio Bolsonaro, terá 121deputados e 28 senadores a partir de fevereiro de 2027 e será a maior bancada nas duas Casas. Somada ao Centrão, a direita terá votos para aprovar emendas à Constituição sem a esquerda: serão 378 deputados e 62 senadores, acima dos 308 deputados e 49 senadores exigidos.

Somada, a esquerda terá 124 deputados e 15 senadores, longe da maioria nas duas Casas. Os votos que faltam estão no Centrão, que terá 246 deputados e 30 senadores.

O PT também perdeu a posição que tinha no início do primeiro governo. Elegeu 70 deputados e, com PCdoB e PV, terá 88, a segunda maior da Casa. No Senado, terá nove senadores, menos de um terço da bancada do PL.

O cenário é diferente do que Lula encontrou em seus três mandatos anteriores. Em 2002, o maior partido de oposição, o PFL, elegeu 84 deputados. Em 2006, PSDB e PFL elegeram 66 e 65 deputados, respectivamente. Em 2022, o próprio PL elegeu 99.

A maior força do Centrão, no entanto, esteve com o adversário. A federação União Progressista, que reúne PP e União Brasil, decidiu em 6 de outubro apoiar Flávio Bolsonaro no segundo turno e terá 87 deputados e 12 senadores.

O peso da federação recai sobre a agenda do governo, sobretudo no Senado. Para aprovar projetos de seu interesse, Lula dependerá do Centrão em todas as votações. Na Câmara, consegue formar maioria mesmo sem a União Progressista. No Senado, não: sem os senadores da federação, o governo fica abaixo dos 41 votos necessários, ainda que conte com todo o restante do Centrão. Já a direita, com a federação, chega a 44 senadores.

Na disputa pelo comando da Câmara, o Centrão já escolheu apoiar a reeleição de Hugo Motta. Em 14 de outubro, União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, a federação PSDB-Cidadania e Podemos divulgaram nota conjunta em apoio a Motta, que apoiou Lula. Em 21 de outubro, PSB e PDT, partidos da base de Lula, também anunciaram apoio a Motta.

No Senado, a disputa está aberta. A vitória de Lula dá sobrevida à reeleição do presidente da Casa, Davi Alcolumbre. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, declarou em 5 de outubro que o partido não apoiará a recondução de Alcolumbre, e disputará o cargo com Rogério Marinho, líder da oposição na Casa.

Às vésperas do segundo turno, Alcolumbre conduziu duas votações de interesse do governo. Em 15 de outubro, o Senado aprovou a proposta de emenda à Constituição que acaba com a escala 6×1, uma bandeira de Lula. Na mesma sessão, Alcolumbre retirou de pauta a PEC da Segurança Pública, que estava travada por emendas que reduzem a maioridade penal.