O senador Flávio Bolsonaro, do PL, derrotado no segundo turno, disse na noite deste domingo (25) que não reconhece a vitória do presidente Lula e que sua equipe jurídica pedirá a anulação da eleição.
Flávio dirigiu o ataque ao ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, que prorrogou a votação por duas horas em todo o país. “Não vou aceitar que a regra do jogo tenha sido mudada em cima do jogo”, afirmou.
Zanin foi advogado de Lula antes de ser indicado por ele ao Supremo, em 2023. Flávio também disse que fiscais do PL foram retirados da sala-cofre do Tribunal Superior Eleitoral, o TSE.
A prorrogação atendeu à coligação de Lula, que denunciou a redução da frota de ônibus em cidades como Salvador e São Paulo. A coligação acionou o TSE às 12h38, pedindo providências para garantir o transporte gratuito na Bahia. Às 15h46, ainda sem decisão, recorreu ao Supremo e pediu votação até as 19h em Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas.
Às 16h01, o ministro Nunes Marques, presidente do TSE, deu 30 minutos para o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia e as três prefeituras prestarem esclarecimentos, sem decidir sobre o horário. Às 16h57, a coligação estendeu o pedido ao país inteiro. Zanin o atendeu e mandou o TSE manter todas as seções abertas até as 19h. Foi a primeira vez que o horário de uma eleição presidencial foi ampliado em todo o país.
A Procuradoria-Geral Eleitoral foi contra. Em parecer assinado às 17h04, o vice-procurador-geral eleitoral Alexandre Espinosa Bravo Barbosa reconheceu a gravidade das denúncias sobre o transporte na Bahia, mas defendeu manter o horário previsto em lei. Pediu também a apuração dos fatos e a responsabilização dos envolvidos, inclusive por eventual abuso de poder.
A campanha de Flávio também tinha pedido mais tempo ao TSE. Alegou que chuvas, alagamentos e dificuldades de deslocamento impediram eleitores de chegar às urnas em municípios do Paraná e de Santa Catarina. A ordem de Zanin, porém, não se limitou aos locais apontados pelas duas campanhas.
Zanin decidiu no limite do horário legal de encerramento, às 17h, e a ordem não alcançou a tempo todas as seções. Muitas já tinham encerrado a votação e desligado as urnas. O Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal, por exemplo, informou que não havia sido comunicado da decisão quando os equipamentos já estavam desligados. Zanin esclareceu depois que a prorrogação valia apenas onde as urnas não tinham sido fechadas e que os votos das urnas encerradas seriam totalizados normalmente. Nunes Marques orientou as seções ainda abertas a funcionar até as 19h. A totalização ficou suspensa e foi retomada só após o horário estipulado.
Com 99,99% das seções totalizadas, Lula tinha 64,2 milhões de votos, 51,78% dos válidos. Flávio tinha 59,8 milhões, 48,22%. A diferença passava de 4,4 milhões de votos.