Os partidos do Centrão decidiram nesta quarta-feira (14) apoiar a reeleição do presidente da Câmara, Hugo Motta, do Republicanos, e atuar juntos na eleição da Mesa Diretora em fevereiro. O movimento adianta uma disputa que se dará contra o PL, que elegeu a maior bancada da Casa, com 121 deputados.

A decisão saiu de um almoço entre presidentes e líderes dos partidos com Motta na residência oficial da presidência da Câmara, em Brasília. O documento leva a assinatura de representantes de cada sigla: os presidentes do União, Antonio Rueda, do PP, Ciro Nogueira, do Republicanos, Marcos Pereira, do PSD, Gilberto Kassab, do MDB, Baleia Rossi, do PSDB, Aécio Neves, e do Podemos, Renata Abreu.

O presidente do Solidariedade, Paulinho da Força, também participou da reunião e assina a nota, em nome da federação Solidariedade-PRD. A federação, no entanto, não aparece entre os integrantes formais do bloco.

O apoio, porém, ainda não equivale ao lançamento formal da candidatura. Pela nota, os partidos se comprometem a dar sustentação a Motta para que ele inicie o diálogo em busca de convergência e unidade em torno da reeleição. Na prática, o bloco entrega ao deputado a tarefa de construir a própria maioria, com o aval prévio das sete legendas.

A reeleição de Motta já estava na mesa nas conversas entre o Centrão e a campanha de Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República. Como mostrou o Bastidor, os partidos que aderiram ao candidato do PL no segundo turno incluíram a Presidência da Câmara e espaços num eventual governo na negociação. O acordo, naquele momento, envolvia a recondução de Motta e um ministério para o Republicanos, com Marcos Pereira como nome mais cotado.

A federação formada por União Brasil e PP formalizou o apoio a Flávio no dia 6, depois de ficar neutra no primeiro turno. O Republicanos anunciou a adesão no dia seguinte. Motta, por sua vez, apoiou Lula no primeiro turno.

O PL, no entanto, resiste aos dois atuais presidentes do Congresso. Logo após o primeiro turno, o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, disse achar difícil apoiar a candidatura de Motta na Câmara e descartou apoiar Davi Alcolumbre, do União Brasil, à reeleição no comando do Senado. Para Valdemar, Alcolumbre está alinhado ao governo Lula. O candidato do PL à presidência do Senado é seu líder na Casa, Rogério Marinho.

Antes de saber se Flávio será eleito, o Centrão resolve entre si o comando da Câmara para os próximos dois anos, sem a participação do PL. Caso vença, Flávio assumirá com a Presidência da Casa já encaminhada por partidos que, em parte, ficaram neutros ou ao lado de Lula na primeira etapa da disputa, e em torno de um nome ao qual seu partido resiste.

Leia a íntegra da nota dos partidos que vão apoiar a reeleição do presidente da Câmara, Hugo Motta:

“Em reunião realizada hoje entre os líderes e as direções dos partidos, decidimos pela manutenção do bloco partidário na próxima Legislatura, reafirmando nossa disposição de caminhar juntos, respeitando as diferenças e buscando convergências em favor do Brasil.”

“Nosso objetivo é dar continuidade ao trabalho que temos construído por uma Câmara plural, independente e aberta ao diálogo com todas as correntes políticas, garantindo espaço a todos os 513 deputados e avançando nas decisões importantes para o país. Com esse espírito de união, harmonia e compromisso, o bloco seguirá trabalhando de forma conjunta.”

“O bloco também caminhará unido na eleição da Mesa Diretora do próximo ano. O presidente Hugo Motta terá nosso apoio para iniciar o diálogo em busca de convergência e unidade em torno de sua reeleição à Presidência da Câmara dos Deputados.”

“O presidente do Solidariedade, Paulinho da Força, participou da reunião representando a Federação Solidariedade-PRD.”