Indicado ao comando da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) pelo presidente Lula, o advogado Otto Lobo iniciou esta semana um périplo pelo Senado para tentar viabilizar sua aprovação. Até então, ele aguardava o aval do Palácio do Planalto para iniciar o beija-mão em Brasília.

Na terça-feira (28), Otto visitou a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). Tentou conversar com o presidente do colegiado, Renan Calheiros, e com o relator de sua indicação, Eduardo Braga, como noticiou o Valor Econômico. Sem sucesso. Ambos apenas o cumprimentaram de modo protocolar.

Como o Bastidor mostrou, a indicação de Otto está travada na CAE por ordem de Renan Calheiros. O senador afirma que só vai marcar a sabatina após o presidente Lula confirmar que a indicação segue de pé.

A resistência de Renan e Braga em conversar com Otto se deve, em parte, à ausência de confirmação de Lula de que a indicação segue de pé. Braga chegou a conversar com Lula por telefone, no dia 14. O presidente disse que só examinaria o assunto após o dia 21, quando voltaria de uma viagem à Europa. Até o momento, Lula e Braga, porém, não voltaram a conversar.

Interlocutores de Braga afirmam que, nesta semana, o foco do Senado está na sabatina de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. A partir da semana que vem, há expectativa de que as conversas sobre Otto Lobo comecem a andar.

Otto foi indicado pelo governo em janeiro para presidir a CVM à revelia do Ministério da Fazenda. Sua escolha é atribuída ao apoio do empresário Joesley Batista, da J&F, e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, do União Brasil do Amapá.

A oposição à indicação cresceu na mesma proporção do caso do Banco Master. Enquanto diretor e presidente interino da CVM, Otto acumulou decisões favoráveis ao Master e a empresas ligadas ao empresário Nelson Tanure

O Bastidor procurou Otto Lobo, que preferiu não comentar.