O presidente Lula só vai decidir se mantém ou não a indicação de Otto Lobo ao comando da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) quando voltar da Europa. Ele embarcou nesta quinta-feira (16) para uma viagem de seis dias pela Espanha, Alemanha e Portugal. O retorno está previsto para o dia 21.

Como o Bastidor mostrou, a sabatina de Otto na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado depende de um novo aval de Lula. O presidente do colegiado, Renan Calheiros, do MDB de Alagoas, diz que a indicação só avançará na comissão após o governo confirmar que o nome continua valendo.

Sob orientação de Renan, o senador Eduardo Braga, do MDB do Amazonas, telefonou na terça-feira (14) para o presidente e perguntou se a indicação segue de pé. Segundo um aliado, Lula respondeu que pretende tratar do tema na volta.

Indicado em janeiro para presidir a CVM, Otto enfrenta resistência do Ministério da Fazenda desde o início. A pasta defendia outros nomes para o cargo. Sua escolha é atribuída ao apoio do empresário Joesley Batista, da J&F, e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, do União Brasil do Amapá.

Nos últimos meses, porém, a oposição à indicação cresceu. Otto já foi diretor da CVM e assumiu a presidência interinamente após a renúncia de João Pedro Nascimento, em julho passado. Nesse período, acumulou decisões favoráveis ao Banco Master e a empresas ligadas ao empresário Nelson Tanure.

O histórico favorável ao Master é o principal responsável pelo aumento da resistência a Otto entre membros do governo e parlamentares da base. A principal preocupação é que a indicação seja instrumentalizada pela oposição, numa tentativa de ligar o governo ao escândalo do Master.

No sábado (19), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, encontrará Lula na Espanha e seguirá com o presidente até a Alemanha. Caso peça a opinião de Durigan sobre Otto, Lula ouvirá que o melhor a fazer é rever a indicação, disse um auxiliar do ministro ao Bastidor.

Procurado pelo Bastidor, Otto Lobo afirmou que precisa “respeitar toda a liturgia do processo” neste período que antecede a sabatina e que aguarda a decisão do presidente da CAE sobre quando a análise de seu nome será pautada.