O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, se manifestou sobre a liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central no fim do ano passado. Foi a primeira declaração pública do petista sobre o tema após semanas de discussões a respeito da legalidade da decisão do BC.
Haddad disse que o caso pode ser tratar da “maior fraude bancária da história do país”. O ministro relacionou o Master à Reag, gestora de fundos alvo das operações Carbono Oculto e Quasar, esta deflagrada pela Polícia Federal em 28 de agosto de 2025 para investigar um esquema de fraude tributária e lavagem de dinheiro que envolvia o Primeiro Comando da Capital, o PCC, no setor de combustíveis.
Haddad também disse que tem conversado diariamente com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, mas evitou tratar dos questionamentos feitos pelo Tribunal de Contas da União ao processo que culminou na liquidação do Master. O ministro só comentou que falou com o presidente do TCU, Vital do Rego, sem especificar os pedidos de esclarecimentos feitos pela Corte.
“Falei com o presidente do TCU algumas vezes ao telefone na semana passada. Eu penso que houve uma convergência como ajudar, como fazer o melhor para o país conhecer a verdade, apurar responsabilidades, eventualmente obter ressarcimento dos prejuízos causados. Penso que as coisas vão caminhar para o lado certo”, acrescentou o ministro da Fazenda.
Numa reunião entre membros do TCU e do presidente do BC, na segunda-feira (12), ficou decidido que técnicos do tribunal realizarão a inspeção nos documentos que fundamentaram a decisão do BC sobre o Master. O tribunal terá acesso aos autos, pareceres e registros que fundamentaram a liquidação.
Não era o que Galípolo queria. O presidente do BC, que até agora não tratou do tema publicamente, cobrava nos bastidores uma posição de Haddad sobre o tema diante dos indícios de que a autoridade monetária atuou de forma irregular.

