O Banco Central (BC) enviou ao Tribunal de Contas da União (TCU), na segunda-feira (29), um relatório sigiloso que aponta indícios de operações suspeitas envolvendo o Banco Master e fundos de investimento administrados pela Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários. Segundo o documento, obtido pela Folha de S.Paulo, o BC decidiu acionar o Ministério Público Federal (MPF) após identificar sinais de fraude nessas transações.
De acordo com o relatório, entre julho de 2023 e julho de 2024 o Banco Master e a Reag estruturaram operações consideradas irregulares, com falhas graves e em desacordo com regras do Sistema Financeiro Nacional. Os negócios analisados somam cerca de 11,5 bilhões de reais, e ao menos dois fundos estariam diretamente ligados à gestora.
Essa é a segunda vez que o Banco Central comunica o MPF sobre suspeitas envolvendo o Master. A primeira tratou da revenda de 12,2 bilhões de reais em créditos considerados inexistentes pelo Banco de Brasília (BRB), no contexto da tentativa de venda da instituição. O BC também apontou problemas no gerenciamento de capital e de riscos, além da realização de operações sem garantias adequadas, com baixa liquidez e pouca diversificação.
A Reag foi um dos alvos da operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto, que apura possíveis ligações entre o setor de combustíveis, o PCC e empresas do mercado financeiro.
Ainda segundo a Folha, uma das suspeitas é que os fundos tenham sido usados para pulverizar recursos em nome de terceiros, os chamados “laranjas”. Entre os fundos citados estão o Bravo 95 Fundo de Investimento Multimercado Crédito Privado e o D Mais Fundo de Investimento em Direitos Creditórios, ambos administrados pela Reag. Parte dos recursos também teria sido movimentada na tentativa de viabilizar a venda do Banco Master ao BRB.
Em 19 de dezembro, o ministro Jhonatan de Jesus, do TCU, deu ao BC um prazo de 72 horas –o que se prolongou por conta do Natal– para explicar a decisão de liquidar o Banco Master. Segundo o TCU, há indícios de que a medida tenha sido tomada de forma precipitada, sem a análise adequada de alternativas menos drásticas, como a venda da instituição ou outras formas de reorganização. O tribunal quer esclarecer como o processo foi conduzido, quais critérios foram adotados e se todas as opções possíveis foram avaliadas antes da liquidação. Caso as explicações não sejam consideradas suficientes, o TCU vai avaliar a adoção de medidas cautelares.
Na terça-feira (30), Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, prestaram depoimento à Polícia Federal. Vorcaro e Costa passaram por uma acareação após apresentarem versões divergentes. Já Aquino foi dispensado. Os depoimentos ocorreram na sede do Supremo Tribunal Federal (STF).

