Maria Marluce Caldas Bezerra, procuradora de Justiça de Alagoas, uniu Arthur Lira e Renan Calheiros. Inimigos, o presidente da Câmara e o senador defendem que ela seja escolhida por Lula para a vaga destinada ao Ministério Público no Superior Tribunal de Justiça.
A proximidade de Bezerra com Renan vem desde os tempos de faculdade. O encarregado de levar o apoio do senador a quem influenciará Lula é o deputado Isnaldo Bulhões (MDB). A relação da procuradora de Justiça com Lira é indireta: ela é tia de JHC, prefeito de Maceió e apadrinhado político do presidente da Câmara.
Uma tropa alagoana chegará a Brasília nos próximos dias para conversar com ministros do Executivo, que serão os responsáveis por convencer o presidente sobre quem escolher para a corte superior. Além dos políticos, Maria Marluce também conta com o apoio do ministro Humberto Martins, do STJ.
Os adversário de Bezerra na disputa pela vaga são Sammy Barbosa, procurador de Justiça do Acre, e Carlos Frederico Santos, subprocurador-geral da República. Santos tem a seu favor o trabalho que desempenhou processando os golpistas do 8 de janeiro e o apoio do MPF.
Conta a favor de Bezerra, além dos apoios de Lira e Renan, a indisposição de Lula com o ministro Mauro Campbell, do STJ, que patrocina a candidatura de Sammy Barbosa.
O problema vem da outra lista tríplice para o tribunal, decidida há duas semanas. Campbell era um dos responsáveis por angariar votos para o desembargador Rogério Favreto, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que agradava a Lula.
Favreto quase conseguiu soltar Lula em um plantão judiciário em julho de 2018. Mas Favreto acabou nem entrando na lista tríplice. Sua ausência tem feito Lula repensar a nomeação de Sammy, que era dada como certa.
Apuração e reportagem de Brenno Grillo e Karen Couto.

