Em 8 de janeiro, os ministros Rosa Weber, Luis Roberto Barroso e Alexandre de Moraes ligaram insistentemente para o então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, mas foram ignorados. Queriam que Ibaneis combatesse o terrorismo bolsonarista que destruía Congresso, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Não conseguiram falar.
Segundo apurou o Bastidor com fontes do STF e outras com trânsito entre os ministros da corte, as ligações começaram com Rosa. Antes do ataque, a presidente telefonou. A corte havia sido avisada por assessores que a turba golpista se aproximava do tribunal e o prédio poderia ser invadido.
Como Ibaneis não a atendeu, Rosa pediu auxílio a outros ministros. Barroso e Moraes foram os primeiros a telefonar, mas não também não conseguiram falar. Apesar da insistência do trio, Ibaneis só passou a atender o telefone após às 17h, quando a tragédia já estava consumada.
A Polícia Federal faz uma operação de busca e apreensão na casa de Ibaneis nesta sexta. A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, a pedido da Procuradoria Geral da República.
O governador afastado disse em seu depoimento que nada sabia do risco de invasão naquele dia. Culpa seus subalternos e o Ministério da Justiça de Flávio Dino pela falta de informações.
Logo após a invasão, Ibaneis exonerou Anderson Torres, então secretário de Segurança Pública do DF, e Fernando de Sousa Oliveira, que estava como interino enquanto o chefe passava férias na Flórida.
Torres foi uma das autoridades presas por decisão de Alexandre de Moraes, a outra foi o ex-comandante-geral da PMDF, Fabio Augusto. Dias depois da determinação do ministro, operação da PF autorizada por ele encontrou uma ‘minuta de golpe’ na casa de Torres.
O documento serviria para decretar Estado de Defesa apenas nos limites da sede do Tribunal Superior Eleitoral, corte presidida por Moraes. O texto também permitia a prisão de ministros da corte e extinguia os sigilos telemáticos e telefônicos de todos os funcionários do TSE.
O Bastidor questionou STF e Ibaneis sobre as informações veiculadas. O Supremo afirmou que não comentará o caso. O governador afastado do DF não respondeu até a publicação.

