A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) que envie de volta ao Supremo Tribunal Federal (STF) o inquérito sobre a compra de respiradores devido a suspeitas contra o ex-ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa. De acordo com a PGR, Costa é suspeito de ter cometido os crimes de lavagem de dinheiro e de ocultação de recursos. Ele é pré-candidato ao Senado pelo PT da Bahia.

A informação foi divulgada primeiro pelo Estadão. Para a PGR, o inquérito deve correr no STF porque trata-se de um crime continuado. Em 2020, como governador da Bahia e presidente do Consórcio Nordeste, ele assinou um contrato de 48 milhões de reais para compra de respiradores destinados a pacientes internados com Covid. A empresa contratada recebeu o valor, mas nunca entregou os equipamentos, pois não tinha sequer a documentação necessária para fazer a importação.

A investigação apura suspeitas de desvios na compra. Costa passou a integrar a lista de suspeitos depois das delações da dona da empresa, Cristiana Prestes Taddeo, e do ex-secretário da Casa Civil da Bahia, Bruno Dauster. Ambos afirmaram aos investigadores que o contrato foi assinado com a anuência do então governador.

As constantes mudanças de foro no inquérito nesses seis anos retardaram o andamento das investigações. Em agosto do ano passado, a própria PGR pediu que o caso saísse do STF para o STJpara onde tinha ido três meses antes -, entendendo que as suspeitas se referiam apenas ao mandato de Costa como governador e não como ministro. Agora, a PGR mudou de opinião, o que levará a mais tempo para a análise dos autos.