O deputado federal Patrus Ananias anunciou nesta segunda-feira (20), em publicação nas redes sociais, sua pré-candidatura do PT ao governo de Minas Gerais. A decisão havia sido fechada internamente pelo partido na sexta-feira (17) e será oficializada em reunião da direção estadual ainda nesta segunda-feira, em Belo Horizonte. A convenção que confirmará a candidatura está prevista para o fim do mês.

Ex-prefeito de Belo Horizonte entre 1993 e 1997 e ex-ministro nos governos Lula e Dilma Rousseff, Patrus foi recebido por Lula no Palácio do Planalto na semana passada para discutir o cenário eleitoral em Minas Gerais, o programa de governo e as condições da candidatura.

A definição encerra meses de indefinição no PT sobre a disputa em Minas Gerais. Desde o início do ano, Lula trabalhava para convencer o senador Rodrigo Pacheco, do PSB de Minas Gerais, então filiado ao PSD, a disputar o governo do estado por considerá-lo o nome com maior potencial para unificar a base governista em Minas Gerais e oferecer um palanque competitivo para sua campanha à reeleição. Enquanto aguardava uma resposta, o partido adiou a escolha de um candidato próprio.

Como mostrou o Bastidor, Pacheco chegou a negociar filiação ao MDB e ao União Brasil antes de optar pelo PSB, que era sua terceira alternativa. As conversas com os outros dois partidos não avançaram diante da resistência dos diretórios estaduais. Mesmo depois de ingressar no PSB, em abril, o senador não assumiu compromisso com a candidatura e adiou sucessivas vezes uma definição.

Durante esse período, Pacheco também tinha como prioridade uma indicação de Lula para a próxima vaga no Supremo Tribunal Federal. O presidente, porém, escolheu o advogado-geral da União, Jorge Messias. O senador também reagiu às declarações do presidente nacional do PT, Edinho Silva, sobre uma possível desistência da candidatura, por entender que elas antecipavam uma decisão que ainda pretendia discutir diretamente com Lula.

Depois que Pacheco deixou a disputa, o partido passou a avaliar uma chapa com a ex-prefeita de Contagem, Marília Campos, para o governo, o deputado federal Reginaldo Lopes para uma das vagas ao Senado e Alexandre Kalil para a outra, com o PSB indicando o candidato a vice-governador. Marília, porém, resistiu às pressões de dirigentes petistas para aceitar a candidatura ao governo e manteve a preferência por disputar uma vaga no Senado. Lula também consultou outros parlamentares, mas eles preferiram disputar a reeleição para a Câmara dos Deputados.

Com Pacheco fora da disputa, Marília recusada como candidata ao governo por priorizar o Senado e os demais nomes descartados, Patrus passou a ser a principal alternativa do PT para manter uma candidatura própria ao governo de Minas. Pesquisas internas da legenda apontam que o deputado aparece com cerca de 15% das intenções de voto.