O Santos Futebol Clube recorreu à Justiça para cobrar 475,7 mil reais da EQR Capital pela última parcela do contrato de patrocínio firmado em julho do ano passado. Segundo o clube, a empresa pagou as seis primeiras prestações, mas deixou em aberto a que venceu em janeiro deste ano. O valor cobrado inclui os encargos pelo atraso.
A EQR também acumula cobranças de investidores e é citada num inquérito da Polícia Federal. A investigação foi aberta a pedido do Ministério Público Federal e apura suspeitas de crime contra o sistema financeiro envolvendo o CEO Carlos Eduardo de Carvalho Vanzei. Entre os investidores que foram à Justiça está o médico e influenciador Gabriel Almeida, que pede a devolução de 10,75 milhões de reais, além de encargos.
A ação do Santos foi revelada pelo UOL. Antes de recorrer à Justiça, o Santos negociou o parcelamento da dívida em quatro pagamentos de 107 mil reais, previstos para abril, maio, junho e julho deste ano. Segundo o clube, o acordo não foi cumprido. Em uma notificação de maio, o Santos deu mais 15 dias para a quitação, mas afirma que a pendência continuou.
O contrato previa inicialmente um patrocínio de 5 milhões de reais: 4,5 milhões para o Santos e 500 mil reais de comissão à empresa Clube de Transição Plataforma de Ensino, representada pelo influenciador Bruno Avelar. A parceria, com término previsto para 30 de julho deste ano, garantia à EQR exposição nos uniformes de jogo e treino, publicidade nas redes sociais, ingressos e camarote na Vila Belmiro.
A prestação não paga era de 450 mil reais brutos, equivalentes a 427,5 mil após a retenção de INSS prevista no contrato. Na ação, o Santos afirma ter cumprido suas obrigações e pede a quitação do saldo atualizado, sob pena de penhora de bens.
O patrocínio integrava a estratégia da EQR de associar sua marca ao esporte e a personalidades conhecidas. Em maio, o Bastidor revelou que Bruno Avelar intermediou a aproximação da EQR com o Santos. A empresa também investiu no automobilismo e contratou o ex-jogador de futsal Falcão como embaixador.
Enquanto ampliava sua exposição, a EQR acumulava reclamações de investidores sobre atrasos e dificuldades para resgatar investimentos. Em junho e julho deste ano, a Justiça determinou o bloqueio bancário e restrições de imóveis ligados à empresa. As medidas eram liminares, sem condenação por fraude.
Em manifestações anteriores, a EQR negou uma interrupção generalizada dos pagamentos e afirmou ter patrimônio suficiente para cumprir suas obrigações. Também rejeitou acusações de fraude e negou ligação com o inquérito da PF.